Decorreu na semana passada, em Lisboa, uma reunião da Federação Ibérica dos Sindicatos Independentes da Banca e do Setor Financeiro (FISBANCA), com sedes em Lisboa e Madrid, e de qual o SNQTB foi um dos cofundadores e é um dos sindicatos liderantes.
Com dois propósitos se fez esta reunião. Por um lado, discutir a admissão de uma nova federação espanhola de sindicatos de quadros da banca. Por outro, debater a situação dos trabalhadores bancários à escala peninsular e formas de obter voz e representatividade em Bruxelas.
Vamos por partes. O alargamento da FISBANCA, a ser votado em próxima assembleia-geral, permitirá que tenhamos intervenção à escala micro e macro em vários grandes bancos e caixas (Caixa Bank/BPI, Santander, BBVA, novobanco, Ibercaja, Banca March, Fenacam/Crédito Agrícola Mútuo, Sabadell, Abanca, Caixa Geral, só para citar alguns) com dimensão regional, nacional ou peninsular relevante.
É o reconhecimento de que problemas comuns carecem de abordagens combinadas, fruto de experiências e saberes.
A FISBANCA corresponde a um movimento de mobilização e concertação a vários níveis. Na negociação das convenções coletivas, na defesa dos postos de trabalho e da assistência médico-social, nos protestos de rua ou na veiculação de ideias junto dos decisores do setor financeiro ou legislativo e executivo. Na elaboração de análises prospetivas que permitam antecipar reconversões de carreiras, pressionar para uma melhor redistribuição de rendimentos a favor do trabalho, tornar a fiscalidade mais amiga de trabalhadores, famílias e consumidores.
Isto dito, no âmbito da FISBANCA, procuraremos também sensibilizar os parlamentares europeus, bastante atentos a temas como a transição digital ou energética, para a temática dos processos brutais e massivos de destruição de emprego na banca do Sul da Europa.
Claro que isto de sindicatos independentes, profissionais, acutilantes e focados na sua missão única de defender os trabalhadores, e só estes, não agrada a alguns. Cada vez mais minoritários, diga-se. E que por via da sua crescente irrelevância procuram perpetuar alguma influência através de medidas legislativas que iludem a representatividade laboral que há muito perderam. Por isso se querem perto do poder, na esperança de que algum maná lhes caia no regaço, verdadeiro substituto do trabalho que há muito deixarem de fazer.