A Ferrari vai apresentar o seu primeiro modelo de carro elétrico. O Luce vai ter quatro portas, velocidade máxima de 310 quilómetros e vai ter um preço superior a meio milhão de euros, aproximadamente 550 mil euros.
Este é o seu primeiro modelo 100% elétrico da marca icónica do cavalo e, segundo os analistas da XTB, representa uma oportunidade “de crescimento de receita dado o seu posicionamento ultra-premium”.
Os analistas apontam que cada unidade vendida gere cerca de três a cinco vezes mias receita do que um modelo standard da marca. “Com produção global estritamente limitada, mesmo algumas centenas de unidades por ano poderão ter um impacto relevante no preço médio de venda e nas receitas de personalização através do programa Tailor Made da Ferrari”, referem.
Mas para além de contar para as receitas da empresa, este lançamento vai reforçar “o posicionamento da marca no segmento de ultra-luxo, o que tende a elevar o valor percepcionado de toda a gama, incluindo os modelos de combustão”.
Depois de ter fechado o primeiro trimestre do ano com 1,85 mil milhões de euros de receita e 722 milhões de euros de EBITDA, os analistas questionam agora se este lançamento vai ter “impacto nas receitas da empresa que seja visível nos “earnings” dos próximos trimestres”.
Apesar das perspetivas de venda serem animadoras, há riscos que devem ser tomados em consideração. Desde logo as tarifas norte-americanas de 25% sobre automóveis europeus, uma vez que o mercado norte-americano é um dos maiores da marca. E por outro lado, a Lamborghini abandonou os planos de veículo elétrico para 2030, após ter concluído que a procura por desportivos de luxo elétricos é baixa.
Outro fator que pode pesar nas vendas deste automóvel é a visão dos puristas, que “admiram as décadas de engenharia de motores a combustão, o som inconfundível de um V12 em plena aceleração”, uma visão que pode levar a que este modelo possa “não ser bem recebido”.
Contudo, analisando todos os fatores, os analistas concluem que o novo modelo “pode realmente trazer benefícios para os resultados da empresa, uma vez que as margens financeiras são bastante apelativas. Contudo, existem riscos associados à entrada neste mercado elétrico, um segmento onde a marca ainda não tem histórico, o que poderá condicionar as metas de vendas planeadas”.