O anúncio surge na sequência de uma decisão da justiça, que declarou inconstitucional a concessão de dois terminais.
A concessão dos terminais de Balboa e Cristóbal, junto ao Canal do Panamá, estava na posse de uma subsidiária da CK Hutchison, empresa de Hong Kong, há mais de duas décadas, mas o Supremo Tribunal do país declarou-a inconstitucional em janeiro, levando o Panamá a anular os contratos, segundo a CNBC.
A empresa de Hong Kong considera a lei “ilegal” e garante que continuará a analisar a situação jurídica. A CNBC sublinha que esta concessão tornou-se num ponto sensível entre os EUA e a China. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a alegar que a China, na prática, estava a gerir o Canal do Panamá, e a empresa de Hong Kong preparou um acordo para vender os ativos portuários que detém fora do país. Pequim, no entanto, bloqueou a venda, considerando-a uma “capitulação” perante a pressão dos EUA.
A decisão do tribunal do Panamá no mês passado não foi, por isso, bem recebida pela China, que avisou o país da América Central para o “preço elevado” que pagará, “tanto político como económico”, se não reverter a decisão.
Para já, as concessões ficam temporariamente entregues à dinamarquesa Maersk (no porto de Balboa, do lado do Pacífico) e à suíça MSC (em Cristóbal, no Atlântico).
O governo deste país da América Central tomou controlo das infraestruturas na segunda-feira, na sequência de uma lei que prevê um período transitório de um ano e meio. Depois desse período será atribuída uma nova concessão.
A Maersk, que já iniciou a operação temporária, disse ao canal norte-americano que vai pôr em marcha “um novo sistema de gestão operacional do terminal” e formar a força de trabalho para operá-lo.