Entramos todos, nesta semana, nas tradicionais festividades de Natal e Ano Novo, já com um orçamento pronto a vigorar para o ano que começará dentro de dias. Ainda neste ano, num habitual período de calendário tradicionalmente vivido pelos portugueses com alegria, esperança, paz social e alguma anestesia, será que os portugueses terão motivos de maior tranquilidade ou conforto coletivo?
Porque este é o país com uma das maiores cargas fiscais do mundo, que está num máximo de 35,8%, é também o que tem um dos maiores endividamentos públicos da Europa, é o que tem visto a sua proteção social e de saúde a deteriorar-se e os seus serviços públicos a degradar-se de forma assustadora. Mas como é o país em que os seus cidadãos não se resignam e continuam a lutar e a trabalhar por um futuro melhor, parece que tudo vai bem.
A nossa classe governativa vai-se contentando com um crescimento já denominado do poucochinho, absolutamente anémico, quando o que necessitamos é de um crescimento robusto e de uma melhoria da nossa competitividade económica. Um Portugal que ao criar riqueza líquida expressiva, bem revela as dificuldades a enfrentar num futuro próximo, pois com as políticas publicas desenvolvidas, Portugal não cresce!
Mas, para já, as preocupações estão na cobrança de impostos, em se conseguir ter um equilíbrio orçamental, um crescimento económico sempre revisto em baixa até à recessão, a continuar a não ter o investimento necessário (o terceiro pior da União Europeia), e lá vai crescendo ano após ano a despesa corrente face ao PIB Nacional.
Parece ter caído no esquecimento que o “poucochinho” que estamos a crescer ainda resulta muito do sacrifício e do esforço dos portugueses, esmagados por uma brutal carga fiscal que acumula recordes a cada ano que passa. Cresce a carga fiscal no exato esforço dos portugueses para o sempre necessário equilíbrio orçamental, sempre à custa de mais e mais impostos.
Neste Natal, o presente para os portugueses deveria incluir medidas efetivas que consigam contemplar uma economia mais robusta, competitiva e preparada para o futuro, deveria incluir condições para acomodar um verdadeiro crescimento, acima de 5%, absolutamente estratégico para os portugueses e para a economia nacional.
Só desta forma poderá o nosso povo sonhar com um futuro melhor, pois sem criação de riqueza, não pode haver, do ponto de vista público e também privado, o combate à inflação e o aumento dos salários reais, que tanto nos deviam envergonhar.
Depois de tantos e tantos sacrifícios das nossas famílias e empresas na última década, que superaram crises atrás de crises, seria justo as reais preocupações passarem pela melhoria coletiva das condições de vida das pessoas, com alívio fiscal e esperança.
Deixo votos de um Santo e feliz Natal para todos, com muita paz, felicidade e amor. Para o nosso país, desejo o maior dos presentes: crescimento económico, mais e melhor retribuição e valorização salarial, com mais poder de compra e melhores serviços públicos. Vamos desejar e acreditar num Portugal onde vale a pena viver, trabalhar e criar família!