José Sócrates fala em “estratagema” para regressar a tribunal

“O que fizeram foi um estratagema, uma manigância para me forçar a vir outra vez a tribunal”, acusou José Sócrates esta quinta-feira à chegada ao tribunal para o início do julgamento no âmbito da Operação Marquês.

José Sócrates fala em “estratagema” para regressar a tribunal
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O ex-primeiro ministro José Sócrates voltou hoje a criticar o “lapso de escrita” no processo, que considerou ser um “estratagema”, que o obriga a regressar a tribunal “quatro anos depois para responder às mesma questões”.

“O que fizeram foi um estratagema, uma manigância para me forçar a vir outra vez a tribunal”, acusou José Sócrates.

“Quatro anos depois forçam-me a vir responder às mesmas questões de há quatro anos atrás”, afirmou em declarações aos jornalistas antes de entrar no Tribunal Central Criminal de Lisboa onde começa hoje o julgamento, 11 anos após ter sido detido no aeroporto de Lisboa.

José Sócrates voltou hoje a sublinhar a questão do “lapso de escrita” que na sua opinião fundamenta “que se enganaram todos”.

“Este lapso de escrita não foi descoberto por ninguém durante quatro anos. Durante esses quatro anos [de instrução], nunca o Ministério Público reparou que havia um lapso de escrita”, afirmou o ex-primeiro ministro, considerando que “foi um estratagema”.

“O sistema judicial não quer que eu recorra [do lapso de escrita]. O lapso de escrita é que permitiu transformar corrupção para ato lícito em corrupção para ato ilícito”, sustentou.

O Ministério Público “manipulou o prazo. O juiz de instrução considerou que todas as acusações não estavam indiciadas e considerou-as prescritas”, acrescentou.

Onze anos após a detenção de José Sócrates no aeroporto de Lisboa, inicia-se hoje o julgamento da Operação Marquês, que leva a tribunal o ex-primeiro-ministro e mais 20 arguidos e conta com mais de 650 testemunhas.

Estão em causa 117 crimes, incluindo corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, pelos quais serão julgados os 21 arguidos neste processo.

Para já, estão marcadas 53 sessões que se estendem até ao final deste ano, devendo no futuro ser feita a marcação das seguintes e, durante este julgamento serão ouvidas 225 testemunhas chamadas pelo Ministério Público e cerca de 20 chamadas pela defesa de cada um dos 21 arguidos.

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