Uma empresa bracarense vai juntar-se a uma companhia indiana para produzir drones de defesa em Portugal.
A portuguesa Keydef juntou-se à Flying Wedge Defence & Aerospace (FWDA) para abrir uma fábrica para produzir drones da companhia indiana, o Kaalbhairav, focado em mísseis de longo alcance: pode transportar até 30 kg com uma autonomia entre as 10 a 17 horas, podendo atingir distâncias de 1.500 km, com uma autonomia operacional de 150km.
Tem capacidade para operações de ataque aéreo de precisão, assim como missões de inteligência, vigilância e reconhecimento.
Pela empresa portuguesa, o investimento anda entre os sete e 10 milhões de euros na primeira fase para produzir drones, mas também “simulação e treino, comando e controlo (C2) com Inteligência Artificial (IA) integrada, e visão por computador”, disse ao JE Miguel Abreu presidente da Keydef/Sketchpixel, não adiantando valores para o investimento por parte da companhia indiana.
A companhia lusa, detida pela Sketchpixel, prevê criar 50 postos de trabalho “altamente especializados” com foco em investigação e desenvolvimento.
O projeto deverá arrancar no segundo semestre de 2026, tendo já dado início ao “investimento interno nas fases preparatórias”.
Quais os potenciais clientes e mercados? “Temos acordos de confidencialidade com os nossos parceiros e clientes, o que é prática padrão no setor da defesa. Podemos confirmar que estamos em negociações — algumas bastante avançadas — com entidades em múltiplas geografias: Europa, África, Ásia e América do Sul”.
E qual a localização da fábrica? “Algumas infraestruturas estratégicas, incluindo sede, áreas classificadas e operações de segurança, deverão permanecer em Braga”.
“Estamos a avaliar localizações estratégicas no norte e centro do país para a linha de produção e componente adicional de I&D, em função das condições e da visão de crescimento para as fases seguintes”, explica Miguel Abreu.
O gestor revela que a Sketchpixel “integra o ecossistema NATO STO há três anos. Nos últimos anos concentrámos recursos significativos em I&D interno nas áreas de visão por computador, inteligência artificial, simulação e realidade mista — base tecnológica que sustenta agora esta fase de expansão e internacionalização”.
A FWDA, sediada em Bengaluru, tem em curso a estratégia ‘Operation 777’ com o objetivo de expandir a sua operação global, com o plano de instalar sete centros de produção para chegar a 77 países.
A companhia indiana anunciou que este é o primeiro equipamento autónomo de defesa indiano a ser produzido no estrangeiro, segundo o portal indiano ‘Convergence Now’.
A parceria é vista como uma oportunidade para a FWDA entrar no mercado europeu e forjar novas parcerias.
O fundador e presidente da FWDA Suhas Tejaskanda considera que esta parceria ilustra o interesse global por equipamento autónomo de defesa indiano.