Fisco tem 23 mil milhões de euros em impostos por cobrar

Mais de 60% dos 29.592 milhões de euros da dívida fiscal e não fiscal por cobrar é incobrável ou está suspensa, a aguardar uma decisão dos tribunais ou por causa de processos de insolvência, revela a Conta Geral do Estado (CGE) de 2025 AT. Só em impostos são 23 mil milhões que não entraram nos cofres do Estado no ano passado, mais 1.258 milhões face a 2024. Grande fatia de receitas por cobrar vem do IRS e do IVA.

Fisco tem 23 mil milhões de euros em impostos por cobrar
IMI das barragens

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) tem por cobrar 29.592 milhões de euros em impostos, sendo que 69% deste montante são dívidas incobráveis (11.406 milhões) e suspensa (8.484 milhões). Só em impostos são 23 mil milhões que não entraram nos cofres do Estado no ano passado, mais 1.258 milhões de euros face a 2024. A grande fatia de receitas por cobrar vem do IRS e do IVA.

Os dados constam da Conta Geral do Estado (CGE) de 2025, divulgada pelo Ministério das Finanças no site da Entidade Orçamental (EO), onde se dá conta de que os saldos das receitas fiscais liquidadas e não cobradas por imposto, e das receitas que lhes estão associadas, administradas pela AT, sobressaem os valores do IRS, com 7.331 milhões; do IRC, com 5.967 milhões e do IVA, com 9.087 milhões de euros.

“A receita por cobrar pela AT (passado o prazo de cobrança voluntária) ascendeu, no final de 2025, a 29.591,9 milhões de euros, representando um aumento de 707,7 milhões de euros (mais 2,5%) face ao valor de 2024”, avança a CGE2025, dando conta de que montante por cobrar pela AT abrange toda a dívida em cobrança coerciva: ao Estado (fiscal e não fiscal) e também, por exemplo, as dívidas relativas a receita fiscal dos municípios e das Regiões Autónomas, bem como de entidades externas em cobrança pela Autoridade Tributária e Aduaneira.

Para esta evolução, contribuiu o aumento quer da dívida ativa em 166 milhões de euros (mais 1,8%) para 8.994 milhões quer da dívida incobrável em 681,9 milhões de euros (mais 6%) para 11.407 milhões. Já a dívida suspensa atingiu, no ano passado, os 8.484 milhões de euros (mais 109 milhões de euros face a 2023), estando em causa dívidas fiscais que estão suspensas, seja por se aguardar uma decisão dos tribunais ou por causa de processos de insolvência.

“Assim, no final de 2025, 31% da carteira correspondia a dívida ativa, 28,2% a suspensa e 40,8% classificada como incobrável”, avança o documento.

Segundo a CGE2025, os saldos das receitas liquidadas administradas pela AT que se encontravam por cobrar em 31 de dezembro de 2025 respeitam sobretudo a receitas fiscais (que totalizam 22.999,8 milhões de euros), com um peso de 96,4% do valor total, “para além das receitas que lhes estão associadas, com saliência para os «juros de mora» e «juros compensatórios» (do capítulo das «taxas, multas e outras penalidades»)”. O total de receitas fiscais por cobrar, no ano passado, aumentou 5,8%, mais 1.258 milhões de euros. Juntando taxas, multas e outras penalidades, no valor de 850 milhões, deixaram de entrar nos cofres do Estado 23.850 milhões de euros.

Nos saldos das receitas fiscais liquidadas e não cobradas, os impostos diretos representam 13.356 milhões de euros, mais 814 milhões (mais 6,5%) face a 2024. Deste montante, sobressaem os valores do IRS, com 7.7331 milhões (mais 594 milhões) e do IRC, com 5.967 milhões (mais 220 milhões).

Já os impostos indiretos por cobrar totalizam 9.644 milhões de euros, com a maior fatia de 9.087 milhões a caber ao IVA (mais 412 milhões face a 2024), seguindo-se o Imposto do Selo com 358 milhões por cobrar (menos 39 milhões), o ISP com 140 milhões (mais 71 milhões) e o ISV com 50 milhões (menos 600 mil euros).

Com exceção do imposto sobre veículos, do imposto do selo e dos juros compensatórios, registou-se um acréscimo dos saldos de liquidação das receitas fiscais no decorrer de 2025, realça a CGE2025. Contas feitas, são mais 1.258 milhões de euros de receita fiscal que não entrou nos cofres do Estado no ano passado.

Prescrições quadruplicam

Ascende a mais de 106 milhões de euros o valor das dívidas cujo prazo de prescrição ocorreu em 2025 e cuja impossibilidade legal de cobrança foi verificada, com a consequente extinção e arquivamento de processos. O valor mais do que quadruplica o registado um ano antes.

A prescrição das dívidas fiscais, em 2025, situou-se em 106,6 milhões de euros, o que representou um aumento de 82,1 milhões de euros (mais 335,6%) relativamente ao ano anterior, devido aos aumentos verificados no IVA (mais 44,6 milhões de euros), no IRS (mais 7,7 milhões de euros) e no IRC (mais 15,1 milhões de euros).

“O IVA manteve-se, em 2025, como o imposto com maior peso (52,6%) no total do valor da prescrição. O crescimento das prescrições destes impostos, face a 2024, resulta das ações no âmbito do saneamento da carteira de dívida focadas em identificar dívida prescrita”, explica a CGE2025.

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