O sector privado norte-americano criou 497 mil postos de trabalho em junho, pulverizando as expectativas do mercado e dando novo sinal de força no mercado laboral da maior economia do mundo. Este é o maior crescimento do emprego privado em doze meses.
O relatório da ADP, divulgado esta quinta-feira, surpreendeu os mercados ao mostrar uma dinâmica ainda mais forte do que o esperado, mesmo depois de dez subidas consecutivas dos juros diretores, o aperto monetário mais agressivo em 40 anos. Segundo o portal Investing.com, a média das projeções situava-se em 228 mil empregos.
O sector que mais postos criou foi novamente o turismo e hospitalidade, acrescentando 232 mil empregos à economia, recuperando ainda do forte choque negativo que foi a pandemia. A construção seguiu-se, com 97 mil, com o comércio e transportes a fechar o top-3, ao criar 90 empregos.
Em sentido inverso, a indústria perdeu 42 mil postos, um resultado já indiciado pelas divulgações dos índices de gestores de compras (PMI), que reconhecia uma redução do emprego no sector secundário.
Estes dados “contrariam a ideia de que a maior economia mundial está em recessão ou está perto disso”, argumenta Alex Kuptsikevich, analista sénior de mercados da FxPro. “Um ganho de quase meio milhão de empregos num mês promete um impulso considerável no rendimento e consumo dos americanos, o principal motor do PIB”.
O relatório privado da ADP costuma ser divulgado um ou dois dias antes dos números oficiais do Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano, cenário que se repete este mês, com os dados oficiais a serem lançados esta sexta-feira. Apesar de no último ano os dois indicadores terem distado bastante, este tem sido um dos barómetros mais fidedignos do mercado laboral.
Para os dados de sexta-feira, o mercado antecipa 225 mil novos postos, segundo o levantamento do portal Investing.com.
Do lado dos salários, junho trouxe um ganho homólogo de 6,4%, um valor que tem vindo a recuar progressivamente, mas que continua elevado demais para os objetivos da Reserva Federal do lado da inflação.
Perante estes dados, “os mercados devem-se preparar para mais subidas decisivas dos juros”, projeta Alex Kuptsikevich. Com uma evolução salarial ainda elevada e um mercado laboral sobreaquecido, a margem para continuar com o aperto monetário aumenta, dando argumentos aos falcões da Fed para pedirem novas subidas dos juros.