Vítor Norinha

Continuamos a não gerir a floresta

O único caminho de sucesso neste combate é intervir nos povoamentos florestais, sem esquecer que estamos a ser financiados pelas centenas de milhões de fundos afetos ao PRR, onde o valor previsto para a floresta é irrisório.

1. Num tempo de incêndios gigantescos e ainda com a imagem de Pedrógão bem presente, questionamos quem decide porque acontecem todas estas tragédias um pouco por todo país.

A culpa é das temperaturas elevadas e da ausência de humidade mas, a verdade é que há mais alguma coisa que não funciona. E não se pense que é falta de meios, falta de limpeza das áreas florestais ou falta de cortes nas bermas das estradas, porque isso tem vindo a ser feito nos últimos cinco anos.

E não se pense que tudo acontece porque há alterações climáticas repentinas, também não, sendo que as alterações climáticas é um tema de primeira ordem mas as elevadas temperaturas sempre existiram neste período.

Disto isto, podemos atribuir a desgraça à política, à incapacidade de gerir o espaço territorial de floresta, à facilidade com que se persegue quem planta eucaliptos, pinhal ou outro tipo de arvoredo com grande capacidade de combustão.

Afinal, tudo se resume à falta de política de gestão porque se for devidamente gerida, a floresta é útil para a comunidade, e uma política de gestão não irá impedir os incêndios, porque eles sempre existiram, mas permitirá controlar os danos.

O único caminho de sucesso neste combate é a intervenção nos povoamentos florestais. E, não nos esqueçamos que estamos a ser financiados pelas centenas de milhões de euros de fundos afetos ao Plano de Recuperação e Resiliência.

Ora, aquilo que vemos é que para a floresta foi dedicado algo irrisório, sabendo nós que conhecimento científico e prático não falta, e que os proprietários estão disponíveis para cooperar.

É escusada a acusação para os eucaliptos, assim como a produção de normativos em que tudo fica na mesma.

2. A preocupação com o aumento das rendas mantém-se. Enquanto os proprietários querem seguir a regra de sempre e aumentos de acordo com a inflação, leia-se subidas acima dos 5% em agosto; do outro lado, pretendem restrições para aumentos até aos 2%.

No meio estará a virtude e, nesse ponto, o Governo está a agir bem pois assim deixará funcionar o mercado, prontificando-se para ajudar os mais necessitados. O problema burocrático de pedir ajuda mantém-se, uma vez que muitos não sabem como atuar mas, para isso, existem as juntas de freguesia que têm a obrigação de dar apoio a quem é infoexcluído em matérias administrativas.

3. O ranking das escolas atira a melhor das infraestruturas públicas para lá do 30º lugar. Não é honroso mas significa que ser pobre torna os estudos mais difíceis e não quer dizer que exista menos inteligência. Grandes alunos nasceram e fizeram os estudos em escolas públicas.

O tema é outro e precisa de ser resolvido: como é que as mentes brilhantes que existem no ensino público conseguem subir de nível e ser avaliadas por cima e não por baixo? Como é que os melhores alunos das escolas públicas poderão aceder a professores e estabelecimentos mais exigentes para, no futuro, usufruírem das grandes oportunidades da vida?

A inclusão social também se faz por aqui, porque a má preparação escolar é o primeiro passo para a perda das melhores oportunidades E diga-se o que se disser, a conclusão é que o Estado social serve para isso mesmo.

Relacionado

Rendas. Processos de despejo são um “verdadeiro inferno” e vão ser “teste de algodão” ao Governo

Rendas. Processos de despejo são um “verdadeiro inferno” e vão ser “teste de algodão” ao Governo

Rodolfo Alexandre Reis13 Jul
Especialistas acreditam que o novo conjunto de medidas pode trazer mais oferta de habitação ou "pelo menos a predisposição de um proprietário em colocar imóveis que estão devolutos no mercado", diz Evo Fernandes, sócio da Pérez-Llorca. Contudo, Vera Martinez, coordenadora do departamento de imobiliário da CCA Law Firm, avisa que não se pode confundir proprietários que aguentam meses sem receberem rendas, com famílias que não conseguem pagar uma renda. "Este problema tem que ser colocado na esfera pública", afirma.