O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) mostra-se confiante de que o Governo vai aceitar algumas das suas propostas para o Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) e está disponível para discutir aumentos salariais que chegam aos 20%, como disse, em entrevista à Rádio Renascença (RR) e ao jornal “Público”, divulgada esta segunda-feira.
Em declarações à rádio e ao diário, Armindo Monteiro fala, primeira vez, das 30 medidas que estão em negociação no Pacto Social e admite ainda alguma tensão entre os parceiros sociais. “Este pacto social está na rua desde maio, há quatro meses que estamos a discuti-lo”, ressalvou.
Questionado sobre até onde é que as empresas podem ir nos aumentos salariais, Armindo Monteiro começou por dizer que “as empresas estão a ter, em termos de margens, uma dificuldade muito grande”.
“O 15.º mês que queremos introduzir corresponde a um aumento de 6,6%, mas se tiver tributação já não é 6%, é 9%. O que estamos a dizer é que, sem tributação, as empresas podem fazer estes aumentos”, defendeu, acrescentando que “se juntarmos os 6,6% com os 14,75% temos um aumento superior a 20% e isto é notável”. “E não se utilize o argumento da Segurança Social, porque ele está claramente identificado”, ressalvou.
“Se as empresas estão disponíveis para pagar mais é porque estão preocupadas com duas coisas: reter talentos que as possam ajudar a crescer e que as famílias tenham poder de compra, para estimular a procura interna”, afirmou o representante dos patrões.
Em relação à próxima reunião com o Governo, e às conversas com os parceiros sociais, o presidente da CIP disse que a federação “representa 71% do PIB nacional e houve um largo consenso” nas propostas de medidas para o OE2024 e anos seguintes.
“Quisemos alargar ainda mais e convidámos as centrais sindicais para este diálogo que teve início em abril e em maio. Infelizmente, com a CGTP não foi possível continuar o diálogo, mas com a UGT tivemos várias reuniões de trabalho e os seus contributos permitiram melhorar o nosso documento”, referiu à RR e ao “Público”.