Filipe Alves

A diversificação da estrutura acionista da EDP

Os investimentos de dois fundos soberanos nos aumentos de capital da EDP vêm reforçar a estratégia de diversificação da estrutura acionista da energética.

A EDP anunciou esta semana um ambicioso plano de negócios para o período 2023-2026, que prevê, entre outras coisas, um aumento de 30% no investimento, para 6,2 mil milhões de euros por ano.

O grupo liderado por Miguel Stilwell de Andrade vai reforçar a aposta no mercado brasileiro, com o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para retirar da bolsa a subsidiária Energias do Brasil e prevê duplicar a capacidade a nível de energias renováveis nos próximos anos.

Uma das principais novidades entre o extenso pacote que foi anunciado por Stilwell de Andrade no âmbito do Capital Markets Day foi o facto de os dois aumentos de capital que o grupo vai realizar (na EDP e na EDP Renováveis, de mil milhões de euros cada) serem subscritos pelos fundos soberanos de Singapura e do emirado do Abu Dhabi, com a chinesa CTG – que continua a ser o principal acionista, com 21% – a decidir acompanhar a operação, de maneira a não ver diluída a sua posição na elétrica.

A EDP continua assim a apostar na diversificação da sua estrutura acionista, que é hoje composta por investidores asiáticos, americanos e europeus, colocando à mesma mesa empresas estatais chinesas, fundos de pensões americanos e o ‘braço armado’ do banco central da Noruega, entre outros.

Numa altura em que as tensões geopolíticas estão a obrigar a uma redefinição do processo de globalização a que assistimos nas últimas décadas, com a eventual divisão do mundo em blocos antagónicos, esta estratégia continua a fazer sentido.

Ao não depender excessivamente de determinado acionista, não só a equipa de gestão tem maior margem de manobra para continuar a sua estratégia de crescimento, como a EDP está mais bem preparada para enfrentar eventuais mudanças que venham a ocorrer nos próximos anos, como por exemplo uma eventual saída da China Three Gorges do seu capital, precisamente devido a esses factores geopolíticos.

O futuro dirá se a empresa estatal chinesa vai continuar na EDP e o Governo português poderá ter uma palavra a dizer a este respeito.

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