China ameaça retaliação por investigação comercial da União Europeia à JD.com

O Ministério da Justiça chinês afirmou na quarta-feira, num comunicado, que a UE, ao aplicar o regulamento relativo a subsídios estrangeiros na investigação à JD.com, solicitou de forma transfronteiriça a entidades chinesas informação ampla e "não necessária", situada dentro do território chinês.

China ameaça retaliação por investigação comercial da União Europeia à JD.com
JD Sports (1)

A China acusou a União Europeia (UE) de exercer uma “jurisdição extraterritorial indevida” na investigação sobre a possível concessão de subsídios públicos chineses ao gigante do comércio eletrónico JD.com para adquirir a alemã Ceconomy.

O Ministério da Justiça chinês afirmou na quarta-feira, num comunicado, que a UE, ao aplicar o regulamento relativo a subsídios estrangeiros na investigação à JD.com, solicitou de forma transfronteiriça a entidades chinesas informação ampla e “não necessária”, situada dentro do território chinês.

Segundo um porta-voz da tutela, citado por meios de comunicação oficiais, essas práticas constituem exigências indevidas contra as entidades afetadas e supõem “uma grave violação do direito internacional”.

O Ministério da Justiça indicou que, juntamente com o Ministério do Comércio e outros departamentos, identificou legalmente essas atuações como medidas de “jurisdição extraterritorial indevida”, ao abrigo do regulamento chinês contra a aplicação injustificada de leis e medidas estrangeiras.

Pequim exigiu, por isso, a toda e qualquer organização ou indivíduo que não execute nem ajude a executar essas medidas, e pediu à parte europeia que “corrija imediatamente as suas práticas erradas” e deixe de abusar da ferramenta de investigações sobre “subsídios estrangeiros”.

“Se a parte europeia insistir em seguir em frente, a China responderá firmemente em conformidade com a lei”, advertiu o ministério.

O caso remonta ao final de maio, quando a Comissão Europeia abriu uma investigação para avaliar se apoios públicos concedidos pela China à Jingdong, empresa-mãe da JD.com, deram vantagens concorrenciais ao grupo chinês na compra da Ceconomy, retalhista alemã de eletrónica e eletrodomésticos.

A análise preliminar de Bruxelas citou possíveis formas de apoio como financiamento privilegiado, incentivos fiscais e subsídios atribuíveis à China, e apontou que esses subsídios poderiam ter permitido à JD.com oferecer condições mais favoráveis na aquisição.

A disputa junta-se a meses de fricções entre Pequim e Bruxelas devido ao défice comercial europeu, acusações de excesso de capacidade industrial chinesa, investigações recíprocas e restrições em setores considerados estratégicos.

A liderança da UE considerou insustentável a relação económica com a China devido ao défice comercial anual, estimado em cerca de 360 mil milhões de euros, e ao impacto das exportações chinesas em setores como os veículos elétricos, baterias, painéis solares e produtos químicos.

Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade industrial, negando que este resulte de subsídios estatais ou de uma procura interna insuficiente, e acusa Bruxelas de politizar as divergências comerciais e de avançar com medidas que considera protecionistas.

A tensão agravou-se também após a Comissão Europeia ter aplicado este mês uma multa de 550 milhões de euros à plataforma chinesa AliExpress por alegadas falhas no combate à venda de produtos ilegais, decisão condenada por Pequim.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que Bruxelas está preparada para adotar novas medidas comerciais a partir do outono, caso não sejam alcançados progressos nas negociações com a China.

Mesmo assim, em abril o porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, disse que um entendimento foi alcançado na primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a UE para definir as relações bilaterais como uma parceria comercial “estável e equilibrada”.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.