Team USA vs Team Europa: quem ganha a batalha global pelos céus?

Produtores de aviões de combate da Europa e dos EUA alinham-se para fornecer a Portugal o substituto dos F-16. Vários países já passaram por este processo: quem está a ganhar a batalha global pela supremacia aérea?

Team USA vs Team Europa: quem ganha a batalha global pelos céus?
F-16 Força Aérea Portuguesa

Se queres paz, prepara-te para a guerra, já diziam os romanos que dominaram uma boa parte da Europa, Norte de África e Médio Oriente durante séculos. Portugal prepara-se para substituir os caças F-16 nos próximos anos, mas o que seria um concurso público normal está a tornar-se num novo palco de tensão entre os EUA e a União Europeia (UE), num momento de fratura política entre os dois blocos.

Os EUA declararam o fim do dividendo de paz da Europa, isto é, o Velho Continente vai ter de abrir os cordões à bolsa para assegurar a sua própria defesa para não estar dependente de Washington. Mas ao mesmo tempo, os EUA continuam interessados em vender sistemas de defesa à Europa. Mais. Há uma guerra na Europa, a Rússia está em níveis máximos de agressividade, e o Médio Oriente arde sem fim à vista, com a mais grave crise energética da história pelo meio. É neste complicado xadrez geopolítico que Portugal vai substituir os aviões de combate.

Vários construtores já se chegaram à frente para mostrar o seu interesse: os norte-americanos da Lockheed Martin que produzem os F-35; os suecos da SAAB que fabricam o Gripen; o consórcio europeu Eurofighter que produz o Typhoon.

Um total de 20 países já entrou no clube F-35 desde 2006, incluindo o país produtor EUA: Canadá, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Polónia, Bélgica, Suíça, Chéquia, Roménia, Itália, Grécia, Israel, Coreia do Sul, Japão, Singapura e Austrália. Total: mais de 1.300 aviões entregues.

Por sua vez, o consórcio Eurofighter conta com 770 encomendas do Typhoon (incluindo 600 aviões já entregues desde 2003) a um total de 10 países: Espanha, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Itália, Turquia, Kuwait, Arábia Saudita, Qatar e Omã, desde 2003.

Já a SAAB vendeu quase 400 caças Gripen desde o arranque da produção em 1990, com vendas à Suécia, África do Sul, Tailândia, e alugueres à Chéquia e à Hungria. As vendas mais recentes são ao Brasil (36 unidades, com 10 produzidas no país) e à Colômbia (17), por 3,1 mil milhões de euros.

O Rafale da francesa Dassault, por seu turno, entrou em operação em 2004, sendo hoje o caça de nove países: França, Egipto, Índia, Qatar, Grécia, Croácia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Sérvia. A companhia entregou 300 caças até outubro de 2025, com mais 233 encomendas para serem entregues. Os franceses têm em vista a venda de 114 aviões à Índia.

Tanto a SAAB (150 aviões) como a Dassault (100) têm em vista fornecer caças à Ucrânia para combater a Rússia.

A compra de 27 caças F-35 poderá custar 5 mil milhões de euros a Portugal ao longo de 20 anos, segundo uma estimativa feita em 2024 pelo agora chefe do Estado-Maior das Forças Armadas general Cartaxo Alves.

Os americanos não estão para brincadeiras quando se trata da venda de aviões de guerra. Apesar de o F-35 ser produzido por uma empresa privada cotada em bolsa, a Lockheed Martin, as vendas são realizadas diretamente pelo Governo norte-americano a outros governos.

“A frota de F-16 está envelhecida. O programa F-35 será uma das minhas prioridades de topo” disse em julho de 2025 no Senado o novo embaixador dos EUA em Lisboa John Arrigo.

Uma das empresas que tem estado mais ativas em público é a sueca SAAB que já prometeu instalar parte da produção do Gripen em Portugal, se for a escolhida, destacando que o seu caça custa um terço de outros modelos. “Portugal já sabe o que conseguimos fazer, tanto em termos de capacidade, como em termos de custos, e de colaboração industrial. Portugal tem excelentes indústrias. A Suécia é um país pequeno, precisamos de parceiros, de capacidade e de parcerias”, disse ao JE o presidente da SAAB Micael Johansson, destacando a parceria que já tem com a Embraer, a companhia brasileira a quem Portugal vai comprar o KC-390 e o Super Tucano.

Já a Eurofighter assume-se como o “candidato ideal para substituir o F-16 em Portugal. Queremos apoiar a autonomia estratégica que a Europa precisa. Isto é muito importante para a soberania nacional e da Europa”, disse Ivan Gonzalez Exposito, diretor de vendas do Typhoon em outubro de 2025.

A francesa Dassault Aviation é a empresa que tem estado mais tímida, pelo menos publicamente, em todo este processo. Em março de 2025, o seu presidente, Eric Trappier disse ao jornal francês ‘Le Journal du Dimanche’: “queremos oferecer o nosso avião a Portugal”.

Numa passagem pelo país esta semana, Eric Trappier esteve na conferência ASD Europe, a associação europeia do setor da defesa, mas não quis prestar declarações. Numa sua intervenção num painel da conferência, elogiou a indústria europeia: “não quero ouvir que os EUA estão melhores do que a Europa, é falso. Estamos a fazer melhor”, disparou.

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