Não me parece que o cenário de eleições antecipadas tenha qualquer espécie de viabilidade, e a prioridade deve ser dada à estabilidade política por pelo menos mais um ano.
Não estaria Marques Mendes, com o elogio que fez há semanas atrás, no seu habitual programa televisivo, às rentrées políticas do PSD e da Iniciativa Liberal, a sugerir que foi encontrado o bloco alternativo ao PS?
O domador achava que era leão e o engolidor de fogo vestia-se de trapezista – determinado a não adiar a concretização de uma solução fundamental para o país e o trapezista de Belém vestia-se de engolidor de fogo.
As ilações a retirar das eleições francesas para o xadrez político nacional soam a sinal de alerta. A meu ver há que manter com solidez, transparência e espírito reformista q.b. uma saudável disputa democrática entre PS e PSD. Será isto exequível?
O Governo, em articulação com o sistema financeiro, deve assegurar maior empenhamento no crescimento económico sustentado das empresas privadas viáveis, tidas como os agentes motores da economia que geram riqueza e competitividade.
Portugal é um beco sem saída onde Governo e oposição já não fazem magia: limitam-se a truques que vão entretendo o povo enquanto esperam que o destino resolva os problemas do país.
Que tipo de oposição farão Montenegro ou Moreira da Silva? É uma incógnita. Mas o “zeitgeist” mostra que o espírito do tempo tem dado espaço a radicais e que os posicionamentos moderados têm sido penalizados pelos eleitores.
A oposição está moribunda e, no caso do maior partido da oposição, o PSD, perde-se em lutas intestinas. Costa começou a pensar no futuro e na luta interna, e acabou por colocar todos os “ases” no Governo.