O maior perigo para os Estados Unidos não é que a China simplesmente os substitua. É que aliados, parceiros e adversários concluam simultaneamente que depender de Washington passou a ser um risco.
Um processo de internacionalização não pode estar apenas preparado para evolução positiva e crescimento, devendo considerar desafios. Desistir de um mercado é abdicar de relações, contratos, possíveis lucros e de um posicionamento conquistado.
Reduzir riscos em relação aos Estados Unidos não significa romper com Washington, tampouco aderir a qualquer forma de antagonismo simplista. Significa, antes, restaurar a capacidade de decisão.
Nem sempre derrubar regimes à espera de que disso resulte uma regeneração idílica, estruturada na forma ocidental, surte o efeito desejado. Quase nunca acontece. Exemplos? Há vários.
O Governo iraniano terá subavaliado o pouco respeito que o presidente norte-americano tem pela opinião da comunidade internacional. Mais uma vez, Trump não teve dúvidas em agir fora dos quadros do Direito Internacional.
Para muitas famílias portuguesas, particularmente aquelas que viram os seus salários crescer abaixo da inflação acumulada, a perceção de perda de poder de compra persistirá.
Trump, “o Grande”, aposta cada vez mais em desgastar os alicerces da ordem que amplificou a influência dos Estados Unidos no mundo e do sistema internacional do pós-1945, tornando o mundo muito mais instável.
Quando falamos com quem investe e com quem estrutura negócios, como fizemos na Advisory Summit 2025, o que nos dizem é que a taxa de IRC não é a prioridade. Preocupam mais as originalidades portuguesas.
Sabendo que há dinheiro para se ganhar na volatilidade e que os EUA têm um presidente que se identifica como um negociante e é, ao mesmo tempo, a fonte de instabilidade que tem feito mexer os mercados de capitais... fica a dúvida.
Portugal voltou ao pódio dos potenciais incumpridores das regras orçamentais europeias: somos dos países com maior desvio face à nova regra da despesa primária líquida.
Os eleitores estão cansados de eleições, de vozearia política e de posicionamentos táticos, bons para conversas de café, mas inúteis para a vida de cada dia.
O papel de inimputável desempenhado pelo presidente norte-americano tem, até, uma faceta positiva, porque permite a outros uma saída para situações de bloqueio ou de procrastinação.
É preferível um entendimento entre os dois grandes partidos democráticos, apesar de ser uma estratégia com muitos riscos. Mas a alternativa será o caos e a maioria dos portugueses não deseja isso.
Falta ver o novo governo, rostos e estilos, porque há muito problema para resolver. Com acção, mas, obrigatoriamente nestes novos tempos, com muito diálogo.
Cabe a Montenegro escolher as peças certas para o Governo e os dossiers essenciais para a sua afirmação, sem esquecer que tem os cofres cheios mas com uma instabilidade latente que pode manietar o seu rumo.
Após as eleições deste domingo, Portugal irá entrar num ciclo de “italianização” do regime, de governos provavelmente curtos e de instabilidade quase permanente.
À primeira vista, o cenário não parece ser nada favorável para os mercados financeiros. No entanto, estamos perante máximos históricos em muitas bolsas, no ouro e nas criptomoedas.