O Chega não tem qualquer mensagem para além de simples propaganda. A intenção não é criar ou construir, nem sequer participar na criação ou construção de soluções viáveis.
O preconceito e a sobranceria ideológica impediram os responsáveis militares norte-americanos e israelitas de perceberem o grau de preparação de Teerão para a guerra.
Ao contrário dos cartéis clássicos que operam à margem da lei, a Venezuela evidencia uma etapa superior: setores centrais do aparelho estatal integram e gerem redes ilícitas como parte funcional do regime.
A reforma do Estado não tem necessariamente de ser ideológica. Deve ser, diz Álvaro Beleza, tecnológica. Mas Luís Pais Antunes aconselha cuidados: a ineficiência não pode ser transferida.
“Só há uma pessoa que manda neste império e não vou tolerar nenhuma outra”, gostava de dizer o kaiser que levou ao fim do império alemão. Poderia ser agora. A história não se repete, mas rima, como disse Mark Twain.
Está na altura de ultrapassar as dicotomias estáticas tradicionais de referência política e ideológica. E de repensar a intervenção política e governativa em novos moldes.
Assistimos a uma manobra em larga escala para impor uma nova ideologia nos EUA, com uma visão muito restrita da cultura e história americana, à semelhança das ações de um estado autoritário.
No Ocidente passou a ser pecado falar de neonazis na Ucrânia, dando-se início à maior campanha de branqueamento de um regime político realizada até hoje.
Muitas vezes, a vitória da extrema-direita não está em chegar ao poder, mas em transformar de tal maneira a agenda e o debate público que acaba por ver aprovado o que sempre quis.
Quem anda de comboio diariamente conhece bem a frase difundida sobre as almas exaustas junto à linha: “pedimos desculpa pelos incómodos causados”. Ela condensa a imagem de um Estado ineficiente, frio e desumanizado.
O risco de a França ser, na União Europeia, uma força representativa de opções nacionalistas e soberanistas foi adiado. Mas não afastado. É bom, mas não é suficiente.
Estamos a viver num ponto de grande fragilidade local e global, enquanto observamos muitos a aproveitar-se deste desnorte para forçar ruturas e retrocessos.
Para mim, tentar fazer política sem ideologia é o mesmo que tentar fazer economia só com contabilidade – falta a visão estratégica condutora da actividade.
A ideologia do mercado livre foi sempre um instrumento para promover novos interesses, mesmo que seja à custa do declínio social e institucional das comunidades afetadas.
A intervenção pública de Olavo de Carvalho, no foro da cultura, sociedade e política, teve por finalidade despertar as pessoas, para que se dessem conta da destruição dos valores que restam ao Ocidente.
Bem sabemos que os povos não são todos iguais e que o português é muito dado a conformismos, mas ainda deve existir uma ponta de bom senso e rebeldia que nos faça vencer o vazio e a vulgaridade através daquilo que é autêntico, admirável e duradouro.
O grande problema nacional é estarmos demasiadamente entretidos com o triste espetáculo da CPI, que nos impede de dar atenção ao verdadeiro assunto que nos deveria preocupar: que Portugal queremos para o futuro, e como lá chegar.
Há quem viva num estado de quase confinamento cognitivo. Lê aquilo que lhe interessa e crê naquilo que quer, suspeitando da informação que não confirme aquilo em que já acreditava. E se lhe tentarem mostrar algum equívoco ou absurdo, provavelmente recusa-se a ceder.
O enfraquecimento do PCP não resulta de erros de Jerónimo de Sousa, mas da falência da ideologia. A Raimundo caberá prestar os cuidados paliativos a um partido fatalmente doente em lento e irreversível declínio.