Hoje, como há cerca de 500 anos, aquando do seu controlo por parte de Afonso de Albuquerque e dos portugueses, Ormuz continua a ser um ponto nevrálgico do sistema de trocas global.
A semana reforçou a ideia de um quadro económico global ainda resiliente, mas com divergências entre regiões e com os riscos inflacionistas a regressarem, sobretudo num contexto de agravamento dos preços da energia.
Apesar da pausa na guerra, não se antecipa que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve, o que seria o único fator capaz de acalmar os voláteis mercados de petróleo.
Há cada vez mais avisos sobre a estagflação, uma mistura de preços altos e fraco desempenho económico que marcou a década de 70. As eleições intercalares americanas são um elemento-chave para a crise, diz economista, porque o preço dos combustíveis é uma questão sensível.
A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) vai ter uma reunião esta terça e quarta-feira num contexto de incerteza no Médio Oriente. Palavra de ordem: cautela, segundo a AllianzGI.
Nesta reorganização geopolítica das potências globais, amplamente determinada pelo acesso à energia e a recursos estratégicos, a Europa perdeu grande parte da sua capacidade de ação.
Economia norte-americana contraiu-se no primeiro trimestre: o PIB caiu 0,3% e o PCE subiu 3,7%, o ritmo mais rápido desde 2023. Ainda assim, os mercados seguram-se.
O presidente da Fed vê uma probabilidade baixa de a próxima mexida ser nova subida, mas confessa estar menos confiante quanto ao timing de cortes dos juros. Já o abrandamento no ritmo de redução do balanço procura apenas garantir que o processo decorre suavemente, garante.
“A inflação permanece acima da meta nas principais economias, assistimos a fortes aumentos nos preços da energia nos últimos anos e tem havido uma agitação industrial crescente”, argumentam os analistas do banco alemão.
O mercado inclinava-se, até há pouco mais de uma semana, para uma pausa e possível pico dos juros, mas os dados macro mais recentes determinaram novo aumento de 25 pontos base.
A Crédito y Caución projeta que a inflação global "não volte ao normal" até 2024, e que as "agressivas subidas das taxas em 2022 e 2023 colocam-nos perto do fim do aperto monetário".
Boa parte do tempo em que as taxas de juro estiveram extraordinariamente baixas foi perdido em temas colaterais de agenda política, em vez de colocar-se o foco no crescimento económico. Esta espécie de dança é perigosa, porque é feita sobre riscos estruturais.
Este é o momento em que a grande maioria dos portugueses precisa de apoio do Estado e onde o suporte social será essencial para proteger o poder de compra das famílias com menos recursos.