Às vezes há situações que, tendo pouco em comum em termos de materialidade, se assemelham em termos de processo. Caso da negociação do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão e a discussão do pacote laboral.
Há negociações previstas para esta segunda-feira, mas o Irão rejeita o anúncio de Trump sobre novas negociações de paz, depois de o presidente ter passado o domingo a mudar de opinião. No Líbano, o cessar-fogo parece valer de pouco.
"Estamos a tentar dar algum espaço para respirar entre Israel e o Líbano. Passou muito tempo desde que os dois líderes falaram, cerca de 34 anos. Amanhã acontecerá. Espetacular!", escreveu na quarta-feira Trump na rede social Truth Social, da qual é proprietário.
A trégua parece curta e persistem tensões na região, com alguns focos de instabilidade, o que mantém ainda um elevado prémio de risco nos preços dos combustíveis fósseis. Assim, não é expectável, para já, uma descida prolongada dos preços do petróleo ou do gás.
"Não se pode pedir um cessar-fogo, aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas em que se aplica, mencionar especificamente o Líbano e depois ter um aliado que inicia um massacre", disse o ministro dos Negócios Estrageiros iraniano, Saeed Khatibzadeh, ao programa Today da Radio 4 da BBC.
É das maiores quedas em 35 anos e a maior desde a pandemia da Covid-19. Mil navios continuam à espera de passar no estreito de Ormuz. Mundo respirou de alívio com fumo branco, mas há muitos sinais contraditórios a chegar do terreno: ainda é cedo para cantar vitória.
"Insistimos que o cessar-fogo temporário deve ser totalmente executado no terreno e esperamos que todas as partes respeitem o acordo alcançado", lê-se em comunicado do ministério do ministério dos Negócios Estrangeiros turco.
Guterres “exorta todas as partes envolvidas no atual conflito no Médio Oriente a cumprirem as suas obrigações perante o direito internacional”, afirmou o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado hoje divulgado.
“Acolho com satisfação o anúncio, por parte dos Estados Unidos e do Irão, de um cessar-fogo de duas semanas. Exorto todas as partes a respeitarem os seus termos, a fim de alcançar uma paz sustentável na região”, escreveu António Costa, numa publicação na rede social X.
"Israel apoia a decisão do Presidente Trump de suspender os ataques contra o Irão durante duas semanas, desde que o Irão reabra imediatamente o estreito e ponha fim a todos os ataques contra os Estados Unidos, Israel e os países da região", declarou o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, num comunicado.
“Congratulo-me com o cessar-fogo de duas semanas acordado ontem [terça-feira] à noite entre os Estados Unidos e o Irão. Traz uma tão necessária redução das tensões”, afirmou Ursula von der Leyen, numa publicação na rede social X, após o anúncio da madrugada de hoje.
“O acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão representa um recuo à beira do abismo, após semanas de escalada”, reagiu Kaja Kallas, numa publicação na rede social X, após o anúncio da madrugada de hoje.
Uma das dúvidas em Washington é se existe alguém a mandar em Teerão neste momento que consiga colocar ordem nas forças armadas do país para cumprir um eventual cessar-fogo.
Apesar de Israel ter tentado sabotar as negociações preparatórias da segunda fase da retirada das forças de ocupação, parece incontornável que terá de viver com um cessar-fogo permanente, porque Trump assim o quer.
Washington deve compreender que apoiar Israel não significa endossar as suas ações incondicionalmente, mas ajudá-lo a encontrar a segurança que nasce da paz e não da dominação.
Desde que, na sexta-feira ao meio-dia (hora local), entrou em vigor o cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas, milhares de pessoas estão a regressar dos seus abrigos no sul para a cidade de Gaza, onde permaneceram apenas cerca de 250 mil dos mais de um milhão de residentes, devido à operação israelita para invadir a cidade.
“No que diz respeito ao compromisso do Presidente Trump de pôr fim à guerra em Gaza, a União Europeia (UE) apoia esses esforços”, reagiu a porta-voz do executivo comunitário para a área dos Negócios Estrangeiros, Anitta Hipper.