O antigo secretário regional com o pelouro das obras públicas, Sérgio Marques, considerou que as prioridades do Governo da Madeira, quando era governante, não interessavam ao Chairman do Grupo AFA, Avelino Farinha, que privilegiavam as grandes obras.
Sérgio Marques esteve esta segunda-feira na Comissão de Inquérito da Assembleia da Madeira relativamente às suas declarações sobre obras inventadas, influência de empresários no afastamento de secretários regionais do executivo madeirense, e favorecimento a grupos económicos.
Na Comissão de Inquérito, Sérgio Marques referiu que quando tinha o pelouro das obras públicas no executivo madeirense, até 2017, uma das prioridades do executivo madeirense passava por abrandar o ciclo de obra nova na Região, e tratar de assegurar a conservação do património construído de modo a deixar um bom legado às novas gerações.
Outra das prioridades do executivo madeirense passava também pela prevenção de catástrofes, como por exemplo aluviões, e também na consolidação de escarpas, e também no reforço das ribeiras, explicou Sérgio Marques.
Sérgio Marques sublinhou que este conjunto de obras “não eram aquelas que mais satisfaziam” as grandes empresas do sector, apontando como exemplo o Grupo AFA, liderado por Avelino Farinha. E referiu que essas prioridades do executivo madeirense possivelmente também se estendiam a outras empresas do sector da construção.
“A minha continuidade no Governo não interessava a essas empresas”, disse Sérgio Marques, na Comissão de Inquérito.
O antigo governante afirmou que talvez tenha sido esse o motivo para o Chairman do Grupo AFA, Avelino Farinha, “não estar satisfeito” com o seu desempenho nas obras públicas.
Sérgio Marques abordou ainda declarações prestadas por Avelino Farinha, durante a Comissão de Inquérito, de que “não aparecia” nas obras.
“Eu fiquei a adorar obras, mesmo não sendo engenheiro. Poderia não perceber muito de obras, ainda que tenha aprendido muito sobre obras”, referiu Sérgio Marques.