O salário médio de entrada dos jovens portugueses com ensino superior no mercado de trabalho em 2020 ficou ainda abaixo do registado em 2006, fruto de uma queda acentuada durante os anos de intervenção financeira na economia nacional e apesar de uma recuperação desde então. Na mesma linha, os salários reais dos trabalhadores com ensino secundário ou superior continuaram em 2020 abaixo do verificado 14 anos antes.
Este resultado consta da análise do Banco de Portugal (BdP) e publicada no Boletim Económico de março, na qual é feito um retrato da evolução salarial no país e que mostra uma melhoria ao nível dos salários mais baixos, mas que não encontra equivalente nos escalões mais elevados de rendimento.
Desde 2006, verifica-se uma redução notória da desigualdade salarial, embora muito à custa de uma “compressão social”, como classifica o relatório do BdP, fruto do aumento administrativo do salário mínimo nacional. Assim, verifica-se uma redução do rácio entre os rendimentos dos trabalhadores com salários mais baixos e mais elevados, que cai de 4,1 em 2006 para 3,2 em 2020.
O recuo neste diferencial consegue-se também à custa da queda nos salários reais médios dos trabalhadores com ensino secundário e superior, que permanecem mais baixos do que se verificava em 2006. Este valor desceu para os trabalhadores com ensino secundário, de 1092 euros, em 2006, para 1047 euros, em 2020; já no caso dos trabalhadores com ensino superior era de 1745 euros, 134 euros acima do observado em 2020, detalha o documento do BdP.
Ao mesmo tempo, o prémio pago aos trabalhadores mais qualificados em relação aos com menores habilitações reduziu-se: em 2006, um trabalhador com ensino superior era 60% mais elevado do que o de alguém com apenas o ensino secundário; em 2020, o acréscimo havia caído para 52%.
Também de assinalar que aumentou a percentagem de jovens com o ensino secundário a entrarem no mercado de trabalho, refletindo sobretudo uma substituição dos trabalhadores que antes começavam a trabalhar apenas com o ensino básico.
Já no que respeita aos jovens com ensino superior, o perfil manteve-se basicamente inalterado, com a principal alteração a residir na maior percentagem de trabalhadores, dentro deste grupo, com mestrado, por oposição aos que apenas concluíam licenciatura.
Outra conclusão relevante prende-se com a evolução salarial de cada indivíduo, que demonstra ser fortemente influenciada pelo momento de entrada no mercado de trabalho. Para os portugueses que entraram no mercado laboral entre 2010 e 2014, há um efeito negativo que pesará ao longo da carreira profissional, com o corte sofrido no salário de entrada a significar também menores remunerações ao longo da vida.