Receios de deterioração orçamental e riscos políticos ameaçam dívida

Apesar dos avisos de vários gigantes financeiros globais sobre a dívida portuguesa, os especialistas ouvidos pelo JE salientam a evolução positiva das finanças públicas nacionais, sobretudo face a exemplos como o francês. Ainda assim, a CIP alerta para riscos associados à execução orçamental deste ano após um primeiro semestre desapontante.

Receios de deterioração orçamental e riscos políticos ameaçam dívida
FILE PHOTO: People walk near the Tagus river during the coronavirus pandemic, in Lisbon, Portugal, July 8, 2021. REUTERS/Pedro Nunes

Os maiores bancos do mundo reportaram recentemente as suas preocupações quanto a uma possível “complacência” do mercado com a dívida publica portuguesa e espanhola, sobretudo dada a redução da diferença entre juros dos títulos destes dois países e a Alemanha, isto apesar de persistirem os riscos orçamentais no Sul da Europa. Os especialistas ouvidos pelo JE consideram que a procura que estes títulos geram mostra que não há complacência, mas reconhecem que parece estar a haver um reordenamento da hierarquia dos spreads na moeda única.

O aviso foi lançado pelo ECB Bond Market Contact Group (Grupo de Contacto do BCE para o Mercado Obrigacionista), onde a autoridade presidida por Christine Lagarde é a anfitriã. Este é um dos grupos de contacto estabelecido pelo Banco Central Europeu (BCE) e que reúne quase duas dezenas das principais instituições financeiras do mundo (bancos, seguradoras, fundos e gestoras de ativos internacionais) além do Banco Europeu de Investimento (BEI) e a Comissão.

Os representantes dos gigantes financeiros – como Citigroup, Commerzbank, HSBC, Generali, JP Morgan e Morgan Stanley, entre outros – reconhecem que Espanha e Portugal têm feito progressos nos “fundamentos orçamentais”, uma evolução que tem permitido aos bancos e fundos fazerem bons investimentos. Mas deram conta de sinais de “complacência” pelo mercado que pode estar a evitar subidas mais expressivas dos juros.

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