Pressão na habitação sobe com crescimento do crédito e queda da acessibilidade

A DBRS alerta para riscos elevados de sobrevalorização no mercado imobiliário e para a crescente vulnerabilidade das famílias. E destaca que os "desequilíbrios estruturais duradoiros entre a procura e a oferta" foram "agravados por iniciativas governamentais destinadas a jovens compradores".

Pressão na habitação sobe com crescimento do crédito e queda da acessibilidade
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Uma nova análise da DBRS Morningstar conclui que o mercado imobiliário português continua sob forte pressão, à medida que o crescimento do crédito à habitação acelera e a acessibilidade das famílias diminui.

Segundo o relatório, esta tendência resulta de um desequilíbrio estrutural persistente entre a oferta limitada de habitação e uma procura elevada. Esse desfasamento tem impulsionado o aumento dos preços das casas, ao mesmo tempo que dificulta o acesso à habitação para muitas famílias.

Apesar da recuperação significativa do crédito à habitação desde 2024, a DBRS sublinha que não há sinais de uma bolha imobiliária alimentada por crédito nem de relaxamento nos critérios de concessão de empréstimos. Pelo contrário, os padrões de crédito continuam a ser sustentados por medidas macroprudenciais eficazes.

Ainda assim, os riscos não desapareceram. A agência alerta para níveis elevados de valorização no mercado imobiliário e para vulnerabilidades crescentes dos mutuários, sobretudo num contexto de perda de poder de compra.

A análise sugere que, embora não existam sinais imediatos de instabilidade sistémica, o mercado habitacional português continuará sob pressão enquanto não forem resolvidos os problemas estruturais que limitam a oferta.

“As tendências do crédito à habitação em Portugal são moldadas por desequilíbrios estruturais duradoiros entre a procura e a oferta, agravados por iniciativas governamentais destinadas a jovens compradores no final de 2024”, afirmou María Jesús Parra, vice-presidente responsável pelas classificações de instituições financeiras europeias. “Como resultado, consideramos que o mercado português apresenta riscos elevados de sobrevalorização e uma acessibilidade enfraquecida para as famílias.”

Por outro lado, a DBRS destaca que os bancos portugueses entram neste ciclo de crédito e taxas de juro com uma posição mais sólida, beneficiando de melhores níveis de capital, qualidade dos ativos e resiliência global, o que contribui para conter riscos sistémicos no setor financeiro.

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