Filipe Alves

Para que serve a Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial deve servir não para substituir os seres humanos, mas para os libertar. E para que se tornem mais inteligentes.

Para que serve a Inteligência Artificial (IA)? Para substituir o trabalho dos seres humanos? Para simplificar a nossa vida ao máximo? Para tornar a produção mais eficiente? Para criar uma sociedade utópica, onde os ganhos colossais gerados pela IA são distribuídos de forma mais ou menos equilibrada e permitem que os seres humanos se dediquem ao ócio e ao lazer?

Ou, pelo contrário, para dar lugar a uma sociedade distópica, onde meia dúzia de oligarcas controlam a riqueza e a esmagadora maioria da população, privada de trabalho, vive na miséria? Para destruir o sentido crítico das pessoas ou, pior ainda, como disse Henry Kissinger há algumas semanas, para transformar qualquer confronto militar entre as duas superpotências num apocalipse que destruirá a civilização e causará a extinção da espécie humana?

Estas hipóteses que acima coloco têm sido reproduzidas por defensores e críticos da Inteligência Artificial, desde o centenário ex-secretário de estado dos EUA, a teóricos da conspiração, filósofos, escritores de ficção científica e economistas reputados. O certo é que, independentemente dos diferentes níveis de otimismo ou pessimismo, a Inteligência Artificial é o grande salto tecnológico do nosso tempo e ainda é cedo para fazermos prognósticos, pelo que não será errado supor que alguns destes cenários – os benignos, esperemos – poderão vir a tornar-se realidade.

Porém, diria que só depende de nós, enquanto sociedade, fazer com que a Inteligência Artificial sirva para o progresso da Humanidade e não para a sua destruição. A Inteligência Artificial deve ser usada não para substituir os seres humanos, mas sim para os libertar para tarefas de maior valor. Deve servir para que os seres humanos se tornem mais inteligentes e não o contrário. Para que fiquemos livres para fazer aquilo que nos realiza e faz felizes.

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