Luís Mira Amaral, Engenheiro e Economista

O Relatório Draghi e a I&DT nos EUA e na UE

O Relatório assinala, e bem, a baixa eficácia e produtividade da I&DT financiada pela Comissão Europeia e por muitos governos nacionais, com uma grande dispersão de programas.

De acordo com o Relatório Draghi, o rendimento disponível per capita cresceu duas vezes mais nos EUA do que na União Europeia (UE) desde 2000 e isto porque a UE tem ficado bem atrás dos EUA e da China na Revolução Digital. Só temos quatro das 50 empresas mundiais no topo da revolução digital, os preços da energia são relativamente altos, sobretudo se comparados com os dos EUA, e a demografia na Europa, quando comparada com os EUA, também não ajuda.

O Relatório diz que caminhamos para sermos um museu industrial, amarrados a uma estrutura industrial estática, com poucas empresas a conseguirem inovações disruptivas ou novos motores de crescimento.

Em vez de empresas da revolução digital como nos EUA, na UE a lista das três maiores empresas investidoras em Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) foi dominada durante vinte anos por empresas automóveis de veículos com motor térmico.

O Relatório assinala, e bem, a baixa eficácia e produtividade da I&DT financiada pela Comissão Europeia e por muitos governos nacionais, com uma grande dispersão de programas.

Comparando na I&DT o esforço americano com o europeu, o Relatório mostra que nos EUA as empresas contribuem mais para esse esforço do que o Estado federal (empresas 2,3% e o Estado 1,3 % do PIB americano), ao contrário da UE, em que o esforço público comunitário e nacional é maior do que o das empresas (empresas 0,8% e poderes públicos 1,4% do PIB da UE).

Isto explica, no fundo, o maior sucesso americano em termos de produtos comercializados em relação à dificuldade que aqui temos em passar da inovação e das patentes aos produtos comercializáveis, pois que o ID&T financiado pelas empresas estará já mais próximo do mercado do que o ID&T europeu financiado sobretudo pelos poderes públicos.

Mas, para mim, é evidente que a existência nos EUA de muito mais empresas de grande dimensão nos setores tecnológicos do futuro, face ao pequeno número de empresas congéneres europeias e com menor dimensão que as americanas, explica por que razão há um grande financiamento das empresas privadas americanas, coisa que não acontece na Europa.

Também é preciso notar que muitas startups europeias vão depois para os EUA para poderem mais facilmente escalar sem as barreiras e segmentações dos mercados europeus, e poderem também aproveitar o dinamismo quer dos fabulosos mercados de capitais americanos, quer da indústria de private equity e venture capital.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.