Nuno Pereira, CEO da Cuga: “Queremos ajudar os portugueses a descobrirem o potencial dos cogumelos”

A empresa ficou célebre como “Rei dos cogumelos”. A Varandas de Sousa agora é Cuga e fatura mais de 20 milhões de euros.

Nuno Pereira, CEO da Cuga: “Queremos ajudar os portugueses a descobrirem o potencial dos cogumelos”
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A empresa ficou célebre como “Rei dos cogumelos”. A Varandas de Sousa agora é Cuga e fatura mais de 20 milhões de euros. Em 2020, quando faturava 14 milhões, a empresa foi resgatada da falência pela CoRe Capital, que aceitou ficar com a então Varandas de Sousa após um haircut de dívida bancária (sobretudo ao Novobanco) de 54 milhões para cerca de 12,3 milhões, assumindo ainda as dívidas ao Fisco (2,4 milhões) e à Segurança Social (881 mil euros.

Nuno Pereira, que esteve na gestão da Vitacress, conta ao JE que recebeu em 2023 “o convite do Martim Avillez e do Nuno Fernando Thomaz da CoRe Capital para apoiar o processo de turnaround de uma das suas participadas atualmente relançada no mercado com a marca Cuga”.

Desde que a empresa foi comprada pelo fundo de private equity anunciaram a entrada no mercado da “primeira marca de cogumelos produzidos em Portugal” — com 10 artigos diferentes, distribuídos pelos segmentos “Clássicos, Fusão, Únicos e Sazonais. Nuno Pereira é o responsável pela visão estratégica e a execução operacional daquela que diz ser “uma empresa histórica”, com o foco “na qualidade, inovação e sustentabilidade”. A frase de Pessoa, “põe quanto és no mínimo que fazes”, é o seu lema.

“As nossas metas passam por aproveitar a tendência crescente de consumo de um verdadeiro superalimento como os cogumelos, deixando um legado que vá muito além do crescimento económico”, diz ao Jornal Económico o CEO da Cuga.

“O nosso objetivo é construir uma empresa de referência em qualidade e frescura, reconhecida por produtos absolutamente fabulosos, que inspirem confiança nos consumidores e que orgulhem os nossos colaboradores e acionistas”, sublinha.

A Cuga prevê saltar de uma produção de 4,5 mil toneladas em 2024 para 6,5 mil toneladas no fim do próximo ano. “Concluímos recentemente um investimento superior a 3 milhões de euros na modernização e aumento da capacidade instalada da Cuga.

Este passo permite-nos servir melhor os nossos clientes e consumidores, ao mesmo tempo que reforçamos a preparação para acompanhar e impulsionar o crescimento do mercado”, revela. o CEO que dá conta que “em 2024 faturámos mais de 21 milhões” e “as próximas metas são mais ambiciosas”.

A Cuga apresenta-se como a maior produtora portuguesa de cogumelos e uma dos maiores da Península Ibérica, com uma quota de 85% no mercado nacional.

Apesar da elevada quota de mercado, o CEO diz que é possível crescer mais. Em Portugal a Cuga quer aumentar em 50% as vendas em volume, até ao final de 2026. “Há uma boa razão para isso, a capitação de cogumelos no nosso país continua a ser muito baixa face à maioria dos países europeus.

Enquanto em Portugal cada pessoa consome, em média, apenas 1 kg por ano, em Espanha o consumo é de 3,5 kg — ou seja, mais de três vezes superior”, explica. O mercado dos cogumelos frescos em Portugal tem vindo a crescer de forma orgânica entre 4% e 6% ao ano, sem qualquer estímulo ao consumo, revela o CEO.

O gestor defende que “os cogumelos são praticamente um superalimento e queremos ajudar os portugueses a descobrirem o seu potencial, incorporando-os cada vez mais nas suas receitas do dia a dia”. Nuno Pereira acrescenta que “os cogumelos são leves e nutritivos: quase sem gordura, ricos em fibras, vitaminas e minerais, reforçam o sistema imunitário, ajudam a proteger as células e podem até substituir a carne em receitas, tornando a alimentação mais saudável”.

Por outro lado, não fecha a porta a que a Cuga avance para a diversificação de produtos. “Estamos a avaliar algumas opções, mas sem nunca nos afastarmos do nosso core”, diz.

Olhando para as métricas financeiras, a Cuga ainda dá prejuízo, mas o CEO ressalva que “a Cuga não regista prejuízos operacionais desde a entrada dos atuais acionistas”. Desde então, “temos vindo a reforçar a disciplina financeira e a eficiência operacional”, revela acrescentando que “o nosso foco é continuar a crescer de forma sustentada, tanto em vendas como em EBITDA, consolidando a liderança no mercado e preparando a empresa para novos patamares de rentabilidade nos próximos anos”.

A Cuga é um exemplo de como a entrada de um private equity salva empresas. “Quando os atuais acionistas entraram no capital, a empresa atravessava uma situação muito difícil: não havia paz social, as infraestruturas estavam degradadas e longe das boas práticas de higiene e segurança.

Desde então, a Cuga beneficiou de uma transformação multidimensional — modernizámos processos e infra-estruturas, racionalizámos recursos e colocámos as pessoas no centro da estratégia. Foi essencial fazer um reset à cultura negativa herdada do passado e construir uma nova forma de estar, baseada em confiança, profissionalismo, colaboração e foco no futuro”, explica.

Numa empresa agrícola, a característica mais importante da gestão é a capacidade de lidar com “variáveis biológicas, climáticas e de mercado”, diz, acrescentando que “sem uma cultura empresarial forte e positiva, tudo o resto se torna efémero. Como li algures, ‘a cultura come a estratégia ao pequeno-almoço’, subscrevo totalmente”.

A sua maior preocupação num mundo menos globalizado é a fragmentação e a criação de normas distintas, barreiras comerciais, custos logísticos acrescidos e volatilidade regulatória que gera incerteza e encarece o capital. “Mas, em paralelo, a multipolaridade traz benefícios: obriga a cadeias de abastecimento mais resilientes, maior autonomia regional e redução de dependências de um único centro”, defende.

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