As empresas portuguesas com índice de intensidade digital “alto” ou “muito alto” são cerca de um terço (36%), destaca a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) no primeiro relatório “Competências digitais da população e das empresas”, publicado esta sexta-feira.
Nas empresas portuguesas com dez ou mais pessoas ao serviço, apenas 5% apresentaram um nível “muito alto” de intensidade digital, 31% um nível “alto”, 35% um nível “baixo” e 29% um nível “muito baixo”. Os dados são do Digital Intensity Index 2022, da Comissão Europeia, apresentados neste documento.
De facto, Portugal ficou na 9.ª posição do ranking dos 27 Estados-membros na percentagem de empresas com um Índice de Intensidade Digital classificado como “muito alto” ou “alto” e ligeiramente acima da média da comunidade única, que se fixou quatro pontos percentuais abaixo.
Tal como diz a Anacom, o índice é tanto mais elevado quanto maior for a dimensão da empresa, o que se percebe devido aos orçamentos para investimento na digitalização. Logo, o nível “muito alto” foi atingido por 30% das grandes empresas e por 3% das pequenas empresas.
“Os sectores ‘Atividades de informação e comunicação’, ‘Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares”, ‘Eletricidade e Água’ registaram níveis de intensidade digital das empresas mais elevados, em oposição a sectores como ‘Indústrias transformadoras’, ‘Atividades administrativas’ e ‘Comércio’”, revela o regulador das comunicações.
O mesmo não se pode dizer das famílias, porque ainda há muitos portugueses sem conexão à internet. Apesar de a percentagem de pessoas que não utilizou Internet nos três meses anteriores à data de elaboração do inquérito estar a diminuir (18% em 2021 versus 15% em 2022), Portugal foi o 5.º Estado-membro com maior percentagem de indivíduos sem acesso à Internet.
O principal motivo referido pelas famílias em Portugal para não terem acesso ao serviço de Internet nas suas casas relacionava-se com a literacia digital: «não sabe utilizar» (48%), seguindo-se razões económicas associadas ao custo elevado de acesso e do equipamento, segundo o relatório que caracteriza a literacia digital da população e a intensidade digital das empresas em Portugal e na União Europeia (UE).
Sem surpresas, nas zonas urbanas a literacia digital é superior em comparação à das zonas rurais. Por região, a Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve registaram a maior percentagem de indivíduos com literacia digital igual ou acima do nível básico (66% e 57%, respetivamente) e o Alentejo e a Região Autónoma da Madeira verificaram os níveis mais baixos (47% e 49%, respetivamente), de acordo com a informação disponibilizada pela Anacom.