Kallas vai propor 22.º pacote de sanções da UE contra a Rússia

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, anunciou que irá propor aos Estados-membros “sanções mais severas” contra a Rússia, neste outono

Kallas vai propor 22.º pacote de sanções da UE contra a Rússia
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A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, anunciou que irá propor aos Estados-membros “sanções mais severas” contra a Rússia, neste outono. A confirmarem-se, constituirão o 22.º pacote de medidas contra Moscovo.

“Irei propor sanções mais severas contra a Rússia neste outono e iremos estreitar ainda mais o cerco em torno da frota fantasma da Rússia, para privar Moscovo dos fundos com que financia a guerra. Quanto mais forte tornarmos a Ucrânia, mais rapidamente obrigaremos a Rússia a sentar-se à mesa das negociações”, afirmou Kaja Kallas numa mensagem publicada esta segunda-feira, 25 de agosto, nas redes sociais, referindo-se aos navios utilizados por Moscovo para comercializar petróleo escapando às sanções.

Kallas fez esta afirmação após participar remotamente na reunião da Coligação dos Voluntários sobre a Ucrânia, o grupo de cerca de 30 países, incluindo Portugal, que apoiam a Ucrânia na sua defesa a longo prazo face à agressão da Rússia, que teve lugar hoje em Kiev por ocasião do 35.º aniversário da independência do país da União Soviética.

Recordando a data, a política estónia prestou homenagem à “extraordinária coragem do povo ucraniano” que, durante mais de um terço do tempo em que tem sido parte de uma nação soberana, “teve de lutar para impedir que a Rússia lhe arrebatasse a liberdade”.

“Hoje juntei-me à Coligação de Voluntários para debater o reforço da defesa aérea da Ucrânia, o apoio para o inverno e uma maior pressão sobre Moscovo”, prosseguiu Kallas na sua mensagem, congratulando-se com o facto de a UE ter, até ao momento, desembolsado 8,470 mil milhões de euros a Kiev em apoio à sua defesa, do total de 90 mil milhões de euros do empréstimo europeu.

Desde 2022, a UE e os seus Estados-membros já disponibilizaram 220,2 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia, incluindo 3,8 mil milhões provenientes dos rendimentos de ativos russos imobilizados, referem ainda os dados divulgados hoje pela Comissão Europeia.

Neste sentido, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que esteve presente pessoalmente no encontro, defendeu que a coordenação da coligação de aliados da Ucrânia “é essencial para proporcionar à Ucrânia o apoio integral de que necessita para se preparar para o próximo inverno”.

“A UE está a acelerar a concessão do empréstimo à Ucrânia para apoiar a defesa aérea e as infraestruturas energéticas”, afirmou, salientando ainda que “a pressão sobre a economia russa e a sua frota fantasma irá continuar e intensificar-se”.

Costa sublinhou que “a escalada não é a solução”, defendendo uma solução diplomática, embora, para tal, tenha sublinhado que a Rússia deve participar seriamente nas negociações de paz.

O ex-primeiro-ministro português exigiu também a Moscovo que permita que os cereais ucranianos “cheguem ao resto do mundo”, deixando de colocar “em risco” a segurança alimentar global.

Costa manifestou esperança de que a UE e a Ucrânia avancem com o processo de adesão de Kiev, porque “o seu futuro está na Europa”, uma vez que o bloco comunitário continuará a apoiar o país “pelo tempo que for necessário” e até que haja garantias de segurança suficientes para que a guerra termine.

A Ucrânia assinala o 35.º aniversário da independência, proclamada em 24 de agosto de 1991, na sequência da dissolução da antiga União Soviética.

A data é celebrada pelo quarto ano consecutivo sob o impacto da invasão russa em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022.

O 21.º pacote de sanções aprovado pelos Estados-membros da UE incluiu novas medidas para limitar as receitas e capacidades económicas da Rússia, nomeadamente sanções dirigidas aos setores energético, financeiro e dos transportes, bem como a indivíduos e entidades envolvidos no apoio à guerra da Ucrânia.

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