Greve geral: transportes, saúde e educação serão os setores mais afetados

O impacto deverá ser sentido em vários setores, desde a saúde à educação, passando pelos transportes. CP - Comboios de Portugal já avisou que os constrangimentos deverão começar a sentir-se já nesta terça-feira.

Greve geral: transportes, saúde e educação serão os setores mais afetados
Elementos do piquete de greve, na Câmara Municipal de Lisboa - Garagem Olivais, 10 de dezembro de 2025. A greve geral de quinta-feira contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da 'troika'. TIAGO PETINGA/LUSA

A greve geral desta quarta-feira, 3 de junho, convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) ameaça parar parte do país. Transportes, saúde e educação serão os setores que vão ter mais impacto. CP – Comboios de Portugal já avisou que os constrangimentos deverão começar a sentir-se já nesta terça-feira.

Ao JE, o líder da CGTP, Tiago Oliveira, diz que a expetativa “é grande” e que a paralisação vai afetar tanto o setor público como o privado, realçando que greve geral visa “derrotar o pacote laboral” ainda antes da sua discussão na Assembleia da República.

O secretário-geral da confederação sindical ter grandes expectativas para a greve geral desta quarta-feira, adiantando que os transportes, a saúde e a educação, pela sua “dimensão e visibilidade” são os setores que irão ter mais impacto. “A greve geral está assumida tanto no setor público como no privado”, realça Tiago Oliveira, recordando que a Autoeuropa se juntou à greve geral de 3 de junho, onde os trabalhadores esperam paralisação total da empresa. “Com uma clara maioria, os trabalhadores do complexo industrial da Autoeuropa aprovaram a moção de apoio e compromisso com a greve geral”.

O líder da CGTP vinca ainda que “a vontade dos trabalhadores continuarem a lutar contra este pacote laboral está bem presente”. “O Governo apresentou o documento na Assembleia da República e queremos derrotar este pacote laboral já”, frisa, dando conta que a paralisação desta quarta-feira visa “continuar a trilhar este caminho, elevando o patamar de luta”.

“Ao fim destes dez meses, confirmou-se aquilo que a CGTP disse desde o início. A retórica do Governo aberto a negociações revelou uma realidade diferente. Nunca se mostrou aberto a discutir, a negociar, a dialogar. Isto confirma-se, quando manteve as traves-mestras na proposta de lei que entregou no Parlamento”, diz ao JE o secretário-geral da CGTP.

Tiago Oliveira salienta aqui que estão em causa matérias “desde a generalização da precariedade com o alargamento dos contratos de trabalho a termo certo e incerto, o alargamento dos motivos justificativos que permitem contratar um trabalhador a prazo, a questão do outsourcing e a desregulação dos horários de trabalho e o embaratecimento do trabalho com o banco de horas individual”.

Os trabalhadores portugueses levam a cabo a segunda greve geral contra a reforma da lei do trabalho que o Governo está a promover. A paralisação foi convocada pela CGTP e anunciada, simbolicamente, nas comemorações do 1º de Maio, tendo, entretanto, vários sindicatos setoriais já mostrado o seu apoio. Antecipa-se, assim, que serão impactados, por exemplo, os transportes, as escolas, os hospitais e até alguns call centres.

Em dezembro de 2025, a CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral apresentado pelo Governo PSD/CDS-PP, tendo sido a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.

Entretanto, a CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para quarta-feira contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.

A proposta de lei do Governo de revisão da legislação laboral contempla “mais de 50 alterações” ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, indicou já a ministra do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho.

CP prevê perturbações esta terça-feira

A CP – Comboios de Portugal prevê perturbações na circulação de comboios devido à greve geral de quarta-feira, e alerta para possíveis impactos também no dia anterior e seguinte, “por motivo de greve convocada pelos sindicatos SFRCI, SMAQ, ASCEF, ASSIFECO, FECTRANS/SNTSF, FENTCOP, SINDEFER, SINFA, SINFB, SINTTI, SIOFA, STF e SNAQ”.

A empresa já divulgou os serviços mínimos previstos para os comboios urbanos, regionais e de longo curso.

Transporte aéreo afetado

No dia 3 de junho serão afetadas também as operações aeroportuárias e o ramo da aviação comercial em Portugal, com várias companhias a anunciarem desde já cancelamentos e disrupções.

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (SITAVA), que representa o pessoal de terra, foi o primeiro a indicar a adesão à greve geral, sendo por isso esperada uma forte participação por parte de todo o pessoal responsável pelas operações de terra nos aeroportos portugueses. A estrutura ressalvou, porém, que os trabalhadores vão assegurar os serviços mínimos indispensáveis, incluindo voos urgentes por razões de segurança, voos ambulância, emergências em voo, voos de Estado e voos militares.

Também o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) comunicou que os seus membros votaram favoravelmente pela adesão à greve, frisando que, estando agendados mais de 500 voos só para esse dia, as disrupções serão inevitáveis. Mais recentemente, também os controladores aéreos decidiram pela adesão.

Já o SPAC (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil) optou por não participar da greve geral de 3 de junho, depois de participar na paralisação de dezembro.

Trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa apoiam paralisação

Os trabalhadores do Parque Industrial da Autoeuropa aprovaram, por unanimidade, o apoio à greve geral de 3 de junho, no primeiro de dois plenários convocados. Dizem estar prevista uma paragem total da empresa, já que a greve calha também em dia de férias para as indústrias.

No complexo da Autoeuropa, é espera uma paralisação total. O sindicato do setor diz que a paragem será transversal às restantes indústrias.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul junta-se à lista de adesões à greve, que vai somando forças sindicais de todos os setores.

Metro de Lisboa entra em greve mais cedo

No pré-aviso de greve apresentado pelos sindicatos representativos dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, é anunciado que não haverá circulação de comboios entre as 23h00 do dia 2 de junho e todo o dia 3 de junho. A normalização do serviço está prevista para as 06h30 do dia 4 de junho, refere a empresa em comunicado.

O coordenador nacional da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), José Manuel Oliveira, disse a 19 de maio que “todas as empresas de transportes” urbanos de passageiros estão mobilizadas contra o pacote laboral.

Segundo a Fectrans, os pré-avisos de greve entregues abrangem os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, Carris, Carristur, detida a 100% pela Carris, Transtejo/Soflusa, Fertagus, Metro Mondego, Metro do Porto, STCP e CP — Comboios de Portugal, entre outros.

No caso da Carris, o Tribunal Arbitral decidiu que vários carreiras terão de operar a 100% do regime normal durante três horas de manhã e outras três horas da parte da tarde, entre outras obrigações proferidas na decisão de 29 de maio.

Impacto na saúde e educação

A greve geral deverá ter impacto também entre quem trabalha no setor da saúde e no setor da educação. O Sindicato dos Médicos do Norte, filiado na Federação Nacional dos Médicos, já informou que vai aderir à paralisação convocada pela CGTP em protesto não só contra a reforma laboral, mas também contra o agravamento das condições no Serviço Nacional de Saúde.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) já fez também saber que se vai juntar ao protesto. A paralisação de enfermeiros vai realizar-se entre as 00h00 e as 24h00 de 3 de junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.

Já na educação, a Fenprof avançou também com um pré-aviso de greve para 3 de junho.

Também o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNES) emitiu um pré-aviso de greve, que abrange todos os docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação estão abrangidos pelo pré-aviso de greve.

“A greve inclui a não lecionação de aulas, a não presença durante os horários previamente definidos para assistência a alunos, a não participação nas reuniões de órgãos ou serviços e a não realização de avaliações ou participação em júris de avaliação, assim como a paralisação das atividades de investigação e de extensão”, clarifica a entidade.

Sindicatos da UGT aderiram à greve geral da CGTP

A UGT decidiu não aderir ao protesto organizado pela CGTP, mas terá sindicatos seus que se vão juntar à paralisação. 

“A greve é sempre uma possibilidade. Nós não excluímos uma greve geral, mas não é este o momento para a greve geral. Pensamos que é uma greve ainda extemporânea”, explicou Mário Mourão em entrevista à RTP, no dia em que a reunião na Concertação Social terminou sem acordo. E acrescentou: “a agenda da UGT não é a agenda da CGTP”.

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“Por motivo de greve convocada pelos sindicatos SFRCI, SMAQ, ASCEF, ASSIFECO, FECTRANS/SNTSF, FENTCOP, SINDEFER, SINFA, SINFB, SINTTI, SIOFA, STF e SNAQ, para 3 de junho – dia de greve geral - preveem-se perturbações na circulação de comboios, com possíveis impactos também no dia anterior e seguinte”, alertou a transportadora ferroviária, num aviso publicado na sua página na internet.