Gregório Duvivier em 60 saltos, ou o ‘come back’ de “Sísifo” a Portugal

Carregar a pedra até ao cimo da colina. 60 vezes tenta, 60 vezes falha. Eis a versão a quatro mãos do mito de Sísifo, cortesia de Duvivier e Calderoni, repleta dos absurdos intoleráveis do nosso tempo. De 7 a 10 de dezembro em várias cidades portuguesas.

Gregório Duvivier em 60 saltos, ou o ‘come back’ de “Sísifo” a Portugal
Dwight D. Eisenhower toma posse como presidente dos EUA no Capitólio em Washington.

Gregório Duvivier traz na bagagem a peça “Sísifo”, amplamente aclamada em 2019, para uma breve digressão em Portugal, de 7 a 10 de dezembro. Um monólogo interpretado por Duvivier e escrito a quatro mãos com Vinícius Calderoni, coautor e diretor da peça, que interliga a mitologia grega aos absurdos do quotidiano, do mundo digital à política brasileira.

Primeiro spoiler: não é uma recriação fiel da história, antes pede emprestado o leitmotiv do homem que, diariamente, transporta aos seus ombros uma pedra colina acima para, depois, vê-la rolar encosta abaixo e começar tudo de novo por toda a eternidade. O texto assinado pela dupla brasileira relaciona a mitologia grega com o mundo globalizado e “híper conectado”, convocando temas prementes da contemporaneidade, pondo em causa e ironizando sobre tudo e todos, mas acima de tudo sobre a condição humana.

E se a velocidade aumenta a cada dia que passa e nos é pedido para acelerar, não pensar, acelerar, quem sabe se o Salto 17, “Ouça um bom conselho”, não resume muito do espírito meme e gif que nos formata?

“(.…)

… vou te dar só um conselho: meditação.

Pilates todo o dia.

Spinning todo odia.

Álcool e drogas todo o dia.

(…)

Visita mais seus pais enquanto eles estão vivos.

Você não deve nada aos seus pais só porque eles estão vivos.

(…)

Vê se responde mais rápido às mensagens.

Vê se para de olhar tanto às mensagens.

E o mais importante de tudo: não ouça o conselho de ninguém.

Salta

Sonho-realidade-fake-news. Como distinguir, destrinçar? “Sísifo” quer tentar reestabelecer estas fronteiras, e, neste movimento, reestabelecer e reconstruir a nossa própria sanidade mental. Em 60 histórias muito curtas cabem muitas personagens. Da comédia à tragédia, passando pela poesia e pelo drama, Duvivier recria em palco a história da humanidade, a vida contemporânea no Brasil. Mas, em muitos casos, poderia ser noutra geografia. As angústias transversais ao Homem, as dores, o riso, o amor e desamor, a violência e incompreensão. O absurdo, sempre.

“Sísifo” regressa a Portugal com a chancela da H2N – Culture Connectors, produtora que também é responsável pela “Porta dos Fundos” em Portugal, de que Duvivier é cocriador. A 7 de dezembro subirá ao palco do Grande Auditório do CCB em Lisboa, no dia 8 ruma ao Teatro Sá da Bandeira no Porto, dia 9 apresenta-se no Convento de São Francisco em Coimbra e, no dia 10 de dezembro, estará no Centro de Artes de Águeda. Os bilhetes já se encontram à venda.

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