Governo recomenda proibição do uso de telemóveis no 1.º e 2.º ciclos

O Governo apela ainda a restrições colocadas aos alunos do 3.º ciclo do Ensino Básica, mas salienta que as medidas neste âmbito também vão depender da autonomia das escolas.

Governo recomenda proibição do uso de telemóveis no 1.º e 2.º ciclos
Foto: Nuno Gonçalves/UMinho

O Governo tomou medidas que visam proteger os alunos dos perigos que representam os telemóveis, sem deixar de assegurar que os jovens estejam preparados para tirar o “máximo de benefício” daquelas tecnologias, disse o ministro da Educação, Ciência e Inovação.

Fernando Alexandre fez o anúncio no briefing do Conselho de Ministros. As medidas dizem respeito à utilização de smartphones nas salas de aula, pelos alunos dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico, assim como do Ensino Secundário.

Assim sendo, o Governo passa a recomendar, para os alunos do primeiro e segundo ciclos (até aos 12 anos), a proibição da entrada de telemóveis na escola (tanto na sala de aula como no recreio). Importa ressalvar que a medida não é vinculativa, mas “pode vir a ser”, no futuro.

No próximo ano, o executivo vai avaliar os resultados e, posteriormente, poderá efetuar alterações. Em causa está o “efeito muito negativo nas crianças” desempenhado por aquelas tecnologias, , assinalou Fernando Alexandre.

Para o terceiro ciclo (dos 13 aos 15 anos), não se recomenda a proibição, mas as novas recomendações passam por serem colocadas medidas que restrinjam e desincentivem a utilização daqueles dispositivos. Neste contexto, entra em cena “a autonomia da escola.”

No que diz respeito ao Ensino Secundário, os telemóveis deverão ser usados mediante regras para a respetiva utilização, que beneficiem o “ambiente escolar”, disse ainda o ministro.

Fernando Alexandre avançou com várias medidas noutros âmbitos, dentro da área da educação. É o caso da realização de um “concurso extraordinário” que visa contratar docentes para as escolas mais carenciadas e um apoio à deslocação dos mesmos, que vai beneficiar também os professores que já ali trabalham.

O próprio anunciou o objetivo de ver uma melhoria ao nível das notas das provas ModA, que foram lançadas pelo atual Governo e que vêm substituir as anteriores Provas de Aferição.

Indicou que vão ser colocadas em prática medidas que visam o regresso de professores aposentados às escolas, em regime de voluntariado. O objetivo passa não por dar aulas, mas sim por serem mentores de jovens professores, num regime que tem como referência um período de 5 horas semanais.

Simultaneamente, vai ser promovido o estudo autónomo dos alunos, através de uma plataforma digital, com recurso a fundos provenientes do PRR.

Medidas para a integração de alunos imigrantes

A população imigrante representa já 14% dos alunos dos ensinos básico e secundário. Uma das dificuldades que se colocam tem que ver com a língua, na medida em que 3 em cada 10 destes alunos não têm como idioma materno a língua portuguesa.

Assim sendo, uma das medidas aprovadas passa por atribuir um total de 272 mediadores linguísticos e culturais, com foco nos alunos estrangeiros recém-chegados ao sistema educativo, cujo país de origem não faz parte da CPLP. Em causa está um impacto de 9,5 milhões de euros, sendo que 45% deste valor chega do programa PESSOAS2030.

No mesmo sentido, vão existir alterações na disciplina de Português Língua Não Materna, assim como no processo de equivalências dos alunos, de forma a desburocratizar o seu funcionamento.

Medidas na pasta da economia

Por novo regime do IRC que “obriga as multinacionais que operam em Portugal a pagar pelo menos 15% de IRC” foi aprovado esta quarta-feira. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, sublinhou que as medidas visam criar “justiça e equidade social” e fazer face a “problemas estruturais” do país.

No mesmo âmbito, foi aprovado “um outro regime” referente às multinacionais, tendo em vista a redução da taxa nominal de IRC, de forma gradual, em 2 pontos percentuais (p.p.) por ano, até aos 15%. O ministro esclareceu que esta “transpõe uma diretiva europeia que vem no enquadramento de um acordo global” estabelecido pela OCDE.

“Aqueles que podem, pagam o que não estavam a pagar”, resumiu Leitão Amaro.

 

(Artigo atualizado às 18h06)

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