A economia norte-americana dá sinais de estagnação nos mais recentes inquéritos privados, com a indústria a continuar a deteriorar-se e os serviços a perderem o fulgor dos últimos meses. A leitura rápida dos índices de gestores de compras (PMI) para agosto mostra mínimos de meio ano no indicador composto e do lado dos serviços, enquanto a indústria voltou a recuar após a surpresa agradável de julho.
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O indicador composto caiu de 52,0 em julho para 50,4 em agosto, ficando abaixo da projeção do mercado, de uma variação nula. Tal como acontece nos serviços, este foi um mínimo de meio ano, depois de aquele segmento ter registado uma quebra de 52,3 para 51,0. Ainda assim, este valor continua a corresponder a uma expansão da atividade, ao ficar acima de 50.
Esta corresponde, portanto, à expansão mais lenta da atividade nos serviços desde fevereiro, resume a nota da S&P Global desta quarta-feira.
Já o subindicador referente ao sector secundário abrandou de 49,0 para 47,0, mantendo-se em terreno de contração da atividade e abaixo das expectativas dos analistas, que passava por uma ligeira melhoria para 49,3. Olhando para a produção das fábricas norte-americanas, o subindicador passou de 50,2, ou seja, em terreno de expansão, para 47,5, o que corresponde a uma esperada redução da atividade.
Esta queda é consistente com o primeiro recuo no número de novas encomendas desde fevereiro, cenário semelhante ao registado nos serviços, onde se registou a maior queda na criação de negócios desde igual mês. Também no comércio internacional se regista uma diminuição no número de encomendas, com os principais compradores à economia americana a sofrerem com a subida de juros, em especial a zona euro.
“A quase estagnação da atividade económica em agosto cria dúvidas quanto à força da economia americana no terceiro trimestre”, reconhece Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global.
Ainda assim, o otimismo para os próximos meses é o mais evidente nas mais recentes leituras dos PMI, com os empresários norte-americanos cada vez mais apostados no fim do ciclo de subidas dos juros, o que permitirá maior estabilidade e previsibilidade aos consumidores. A inflação dá sinais de abrandamento, mas os custos das empresas voltaram a subir – e ao ritmo mais elevado desde abril.
Em particular, as pressões salariais merecem nota, tendo sido um aspeto do fenómeno inflacionista sublinhado repetidas vezes pelo presidente da Reserva Federal, Jerome Powell. Também Chris Williamson destaca esta dinâmica, argumentando que “levanta preocupações sobre a persistência da inflação nos consumidores nos próximos meses”.