Luís Parreirão, Gestor

Entre o táxi e o aeroporto

Será que é pedir muito que, até lá, até haver um novo aeroporto, a(s) entidade(s) que tenha(m) essas competências organize(m) um acolhimento europeu a quem chega e quer tomar um táxi?

Admito que os leitores que esta coluna possa ter se “atiraram” a este texto pensando: ora deixa lá ver se este tipo prefere Lisboa, Montijo, Alcochete, Santarém, ou outra localização inovadora.

Lamento muito, mas vou desiludi-los.

Ainda não é aqui e agora que vou revelar as minhas preferências. Bem sei que, sejam elas quais forem, serão absolutamente irrelevantes. Aliás, tão irrelevantes como as que o país foi conhecendo ao longo do último meio século. Todas elas, aliás, lembrando, com as necessárias adaptações, os versos magistrais de Chico Buarque:

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última

Ora, a última vez que aterrei em Lisboa vivi uma experiência que, infelizmente, admito não ser a última.

Fiz os 1700 Km que separam a Ilha do Faial e a Portela em 130 minutos e os 6 Km que separam a pista da Portela das Torres de Lisboa em 93 minutos.

Noventa e três minutos que incluíram a triste e inolvidável aventura de tomar um táxi.

Centenas de cidadãos que, chegados das mais variegadas partes, foram atirados, mais por intuição que por informação, para uma fila que se ia retorcendo na noite escura de Lisboa.

Sim, a cidade da luz única que iluminou aqueles que, a partir dela, ousaram as sete partidas do mundo, esconde os que chegam num esconso. Sem luz, sem segurança, sem abrigo do vento e, em grande parte, da chuva.

Estranho local onde as prioridades aos idosos, às famílias com crianças, ou aos deficientes, propaladas à outrance até ao posto das alfândegas, dão lugar à lei do mais forte, ao salve-se quem puder e à ausência de autoridade.

Do paraíso ao inferno em 200 metros!

Parece que precisamos de um novo aeroporto, e também parece que ainda vai demorar algum tempo. Será que é pedir muito que, até lá, a(s) entidade(s) que tenha(m) essas competências organize(m) um acolhimento europeu a quem chega e quer tomar um táxi?

Naquele serpentear noturno, escuro e frio veio-me à memória uma canção da minha juventude cantada, curiosamente, pelos Táxi:

Ah, no Cairo quente
Cairo
Distante, Cairo
Excitante, Cairo
Apaixonante
Isto é o Cairo
Capital do mistério
Terra de aventureiros
Já ninguém parece sério
É local de guerrilheiros
Ah, tudo é diferente

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