Luís Parreirão, Gestor

“É preciso acreditar” (III)

Queremos ter, ou não, actores económicos capazes de transformar a economia portuguesa, reter talentos, pagar salários elevados e afirmar-se no exterior?

Retomamos o exercício dos últimos artigos, continuando a identificar alguns dos domínios das preocupações dos cidadãos, preocupações que precisam de respostas claras.

  • O Trabalho e as Empresas

O país viciou-se na discussão do valor do salário mínimo. Uns porque fazem do seu aumento bandeira, outros, porque o entendem sempre como referencial para o valor do trabalho.

Talvez seja chegado o momento de nos dizerem como é que se posicionam perante a remuneração do trabalho, todo, e a sua participação na riqueza nacional. A par disso, se a estrutura empresarial existente é a adequada para Portugal dar “o salto” de que necessita na produção de riqueza. Dito de forma mais clara, queremos ter, ou não, actores económicos capazes de transformar a economia portuguesa, reter talentos, pagar salários elevados e afirmar-se no exterior? Precisamos saber que papel se entende que deve ter, ambiciona ter, a economia portuguesa na economia global.

  • O Investimento Produtivo

É conhecida a nossa escassez de capital, pelo que assume especial importância que nos digam como, nas próximas décadas, vamos investir para poder aumentar o rendimento disponível e, consequentemente, o bem-estar dos portugueses.

Será com a captação de investimento directo estrangeiro para novos sectores produtivos? Será com estímulos públicos, designadamente fiscais, ao reforço dos capitais das empresas existentes? Será estimulando e favorecendo fusões e aquisições, proporcionando a dimensão que suporta maiores e mais diferenciados investimentos?

Por outro lado, ganharíamos todos em conhecer, de forma simples e inteligível, quais os capitais que a União Europeia disponibiliza para o investimento privado, em que sectores podem ser aplicados e quais os territórios preferenciais. Também aqui se ganharia em transparência e em motivação dos cidadãos e das empresas, se a relação destes com os fundos não tivesse de ser intermediada por “especialistas” que tornem inteligível o emaranhado regulamentar.

  • O Investimento Público

Portugal tem visto projectos infraestruturais relevantes eternizarem-se nas diversas fases que precedem a sua realização. Por uma vez não seria possível fazer um diagnóstico rápido do que está em curso, do que é necessário, do que tem financiamento assegurado e, feito isso, concretizar os investimentos? Terão os que querem a nossa confiança a coragem de dizer não e de dizer sim, em função de critérios objectivos e visando o longo prazo e as necessidades dos portugueses que vamos ser nas próximas décadas?

Os portugueses querem saber o que lhes vai ser proposto. O que vai e o que não vai ser feito, quando vai ser concretizado, quanto custa e quem vai pagar.

(Continua)

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

Relacionado

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.