Descida do IRC aproxima país do objetivo da competitividade comum

O desequilíbrio das políticas fiscais entre membros da União Europeia é um fator que merece reserva das instâncias europeias e deve ser combatido. A decisão de acrescentar a diretiva europeia à legislação portuguesa é um benefício.

Descida do IRC aproxima país do objetivo da competitividade comum
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A decisão do Governo de avançar com taxa mínima de 15% sobre as multinacionais – medida que já tinha sido imposta pela União Europeia e que ainda carece de aprovação – “parece à primeira vista benéfica para Portugal e pode trazer progressos à Europa como um todo”, refere uma análise ao tema da autoria da consultora XTB.

Mas o sistema conjunto “pode diminuir a competitividade entre os países na concorrência pela carga tributária, pois existem países como Irlanda, Chipre, Bulgária e Hungria que aplicam taxas de IRC inferiores a 15%”. Vale a pena recordar que os federalistas mais puros indicam exatamente que a concorrência fiscal é um dos entraves a um federalismo mais consequente e um impedimento ao desenvolvimento harmonioso do bloco da União. É também um fator gerador de conflitos e desequilíbrios.

A XBT afirma que a decisão “permite que a Europa fale a uma só voz, uma espécie de federalismo e unifica mais a Europa em matéria tributária, sendo o objetivo evitar fuga de capitais para paraísos fiscais”.

Respondendo à questão sobre como pode a nova taxa ser vantajosa para Portugal, a consultora afirma que “Portugal aplica taxas de IRC superiores à media europeia e muito acima de países que têm pouca carga fiscal na Europa. Na nossa opinião, a medida leva agora a um equilíbrio entre os países, obrigando aqueles que cobravam menos a aumentar a sua carga fiscal de forma automática”.

Ao mesmo tempo, diz ainda, “se as medidas apresentadas pelo Governo que visam reduzir o IRC para 15% para todas empresas até 2027 forem aprovadas na Assembleia da República, ficaremos mais perto dos parceiros europeus. Assim, com essa tributação, Portugal, tendo um custo de mão-de-obra mais baixo, poderia aumentar a competitividade das empresas nacionais, incentivar ao investimento estrangeiro e ser competitivo face a outros países na matéria fiscal, beneficiando destas medidas transversais a nível europeu”.

Felizmente que o outro lado também é verdadeiro: o aumento dos investimentos estrangeiros produtivos em Portugal induzirá – principalmente num quadro em que a taxa de desemprego está a níveis aceitáveis – um crescimento dos níveis de salários, com a mediana a aproximar-se da Europa. Perde-se competitividade, é certo, mas quando esse fator é alavancado pelos baixos salários, há qualquer coisa de profundamente errado. Um país com o grau de ensino e competências de Portugal não quererá com certeza ser conhecido entre os 27 por praticar baixos salários e ser, por essa via, muito competitivo.

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Lígia Simões11 Jul
Governo finta negociação do OE com corte do IRC e IRS Jovem por decreto, tendo por objetivo retirar restrição do sentido de voto do OE2025. Socialistas criticam "truque" e acena com chumbo ao próximo Orçamento do Estado, após ter apontado estas medidas como linhas vermelhas nas negociações. Líder do grupo parlamentar do PS diz ao JE que "separação destas medidas face ao OE é totalmente artificial, porque a perda de receita vai sempre onerar o orçamento", retirando margem para outras opções políticas. Alexandra Leitão assegura que o PS não será muleta do Executivo e aconselha Montenegro a procurar viabilização do documento com a direita.