Ciberataques, instabilidade política ou social e inflação são os principais riscos para os empresários portugueses

A conclusão é do estudo anual “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos”, referente a 2023, elaborado pela consultora Marsh e divulgado esta quarta-feira.

Ciberataques, instabilidade política ou social e inflação são os principais riscos para os empresários portugueses
Empresa Computador Empresario Negocio 2 (1)

Os ciberataques, a instabilidade política ou social e a inflação são os três riscos que mais preocupam os empresários portugueses em 2023, concluiu a 9ª edição do estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos”, desenvolvido pela Marsh Portugal na sequência do “Global Risks Report 2023” do Fórum Económico Mundial.

Segundo esta análise, apoiada pelo grupo Marsh McLennan, os empresários nacionais receiam sobretudo ataques cibernéticos (46%), instabilidade política ou social (45%), inflação (39%), retenção de talentos (35%) e falha na cadeia de fornecimento (33%).

E em relação aos riscos que o mundo pode enfrentar? Os gestores nacionais temem a inflação (54%), falha de medidas de cibersegurança (49%), eventos climáticos extremos (42%), estagnação económica prolongada (29%) e geopolitização de recursos estratégicos (29%).

“Uma gestão de riscos mais eficaz coloca as empresas no caminho da resiliência, contribuindo para que se encontrem melhor preparadas para enfrentar um mundo cada vez mais complexo e volátil. Será importante perceber ao longo dos próximos anos se o investimento concretizado se materializou numa maior capacidade de adaptação das empresas e superação do quadro económico exigente vivido atualmente”, afirma ainda Fernando Chaves, da Marsh Portugal.

“Olhando para o risco de ciberataques como principal preocupação manifestada pelas empresas nacionais, Portugal revela um nível de maturidade manifestamente baixo na preparação para este tipo de ataques, apesar de ser notória uma cada vez maior consciencialização por parte da gestão de topo e dos responsáveis pela gestão de risco das empresas face ao tema da cibersegurança e as implicações que eventos desta natureza podem ter nas suas organizações”, comenta o especialista de risco Fernando Chaves.

Sem surpresas, o risco “pandemia/propagação rápida de doenças infeciosas” caiu este ano para a 14.ª posição, com apenas 6% dos inquiridos a indicar esta ameaça, o que contrasta com os 48% registados em 2022 e mais de metade (63%) em 2021, anos em que a resposta à Covid-19 ainda não estava totalmente assegurada e os níveis de vacinação não tão elevados.

“Outra realidade em evidência é a importância dada aos riscos económicos, com a inflação e a estagnação económica a subirem no top dos riscos a nível mundial, o que denota a preocupação” das empresas em relação à performance da economia até dezembro, revela ainda o estudo, cujo objetivo é delinear um mapa onde estão identificados os principais riscos para as empresas portuguesas ao longo dos próximos meses.

A versão de 2023 do relatório “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos” – que será formalmente apresentada esta manhã evento “Raio-X aos Riscos”, em Lisboa – contou com o contributo de 132 participantes de organizações de diferentes sectores de atividade e dimensões (quer em volume de faturação quer em número de colaboradores), com o capital disperso em bolsa ou não. As entrevistas foram realizadas durante os meses de dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

Relacionado