China espera que Portugal seja um agente ativo da aproximação com a União Europeia

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, encontrou-se com o seu homólogo português, Paulo Rangel, em Nova Iorque, onde expressou o desejo de que os dois blocos aumentem o entendimento. E com os Estados Unidos também.

China espera que Portugal seja um agente ativo da aproximação com a União Europeia
China-UE

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ter esperança de que Portugal desempenhe um papel ativo na promoção das relações China-União Europeia durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores português, Paulo Rangel, em Nova Iorque. Segundo a agência Xinhua, a China considerou sempre a União Europeia como um importante polo, que está disposta a apoiar em termos da conquista da sua autonomia estratégica, disse Wang, que também é membro do Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista da China.

O líder da diplomacia chinesa afirmou que a China está pronta para trabalhar com Portugal para dar continuidade à amizade tradicional entre as duas nações, fortalecer a cooperação em áreas como as novas energias e aprofundar a cooperação em setores emergentes como a inteligência artificial, a fim de apoiar o desenvolvimento e a revitalização de ambos os lados.

Por sua vez, e segundo a mesma fonte, Paulo Rangel afirmou que as relações Portugal-China passam por um bom impulso de desenvolvimento com perspetivas promissoras. Portugal adere firmemente à política de uma só China e reafirmará essa posição clara tanto em encontros bilaterais como multilaterais, ainda segundo a Xinhua. Portugal opõe-se ao protecionismo, apoia o livre comércio e está disposto a promover o desenvolvimento saudável das relações UE-China, afirmou Paulo Rangel.

Wang e Rangel estão em Nova Iorque para uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre a defesa dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e o fortalecimento do sistema internacional centrado naquela organização.

Dizendo que a reunião de alto nível convocada pela China é oportuna, Rangel afirmou que a soberania e a integridade territorial de todos os Estados estão enraizadas no sistema multilateral e incorporadas no direito internacional, enquanto o apoio às Nações Unidas serve aos interesses comuns de Portugal, da China e todos os outros países.

Os dois chefes da diplomacia já se encontraram antes, mais propriamente em setembro do ano passado. Na altura, o encontro serviu de preparação à visita oficial do primeiro-ministro Luís Montenegro à República Popular da China. Depois desse encontro, e segundo nota oficial do Governo português, Paulo Rangel destacou o “papel único” que a China poderia desempenhar na persuasão da Federação Russa a aceitar um cessar-fogo e a abrir caminho a um processo negocial tendente à paz na Ucrânia, sublinhando tratar-se de “um papel único, que poucas outras potências mundiais terão”.

O governante português classificou ainda o relacionamento entre Portugal e a China como “bastante desanuviado”, referindo existir uma convergência de pontos de vista em matérias relevantes da agenda internacional. Wang Yi defendeu a importância do sistema multilateral, centrado na ONU e no direito internacional, salientando que a atual situação internacional “torna mais urgente o diálogo e cooperação”.

Entendimento com os EUA

Ainda no que tem a ver com este encontro em Nova Iorque, Wang Yi disse, já depois do encontro com Rangel, que a China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado na cimeira da semana passada e para tomar ações concretas que traduzam o relacionamento construtivo de estabilidade estratégica. Wang fez estas observações durante uma discussão com representantes dos círculos estratégicos e empresariais dos Estados Unidos, mantida à margem da reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU.

O líder da diplomacia chinesa afirmou que as relações China-EUA transcendem a esfera bilateral, tendo impacto na paz global e influência no futuro da humanidade. Alcançar um desenvolvimento saudável, estável e sustentável das relações China-EUA é a expectativa partilhada pela comunidade internacional, bem como uma missão que tanto a China como os Estados Unidos são obrigados a cumprir, acrescentou.

Wang recordou que os chefes de Estado da China e dos Estados Unidos realizaram uma reunião histórica em Pequim, durante a qual ambos os lados concordaram em designar um relacionamento construtivo de estabilidade estratégica como o novo posicionamento para os laços bilaterais. O aprimoramento das relações China-EUA exige que ambos os lados se movam na mesma direção, debatam as diferenças de forma efetiva e ampliem a lista de áreas para a cooperação.

“A independência de Taiwan” é fundamentalmente incompatível com a paz e a estabilidade através do Estreito de Taiwan, assinalou ainda, acrescentando que somente por meio da adesão ao princípio de uma só China é que a paz no Estreito de Taiwan pode ser salvaguardada, e conflitos e a confrontação podem ser evitados.

 

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