Centeno sublinha subida da despesa pública corrente este ano apesar da melhoria das contas públicas

“Desde 1992 que a despesa pública corrente não subia tanto como está a subir em 2024”, destacou o governador do Banco de Portugal, embora defendendo que o país vive hoje “numa situação invejável” em termos orçamentais e com poucos equiparáveis no bloco da moeda única.

Centeno sublinha subida da despesa pública corrente este ano apesar da melhoria das contas públicas
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O Banco de Portugal (BdP) alerta para a subida da despesa pública corrente este ano, que aumentou de forma não vista em mais de 30 anos, isto apesar da melhoria clara das condições de finanças públicas nacionais. Ainda assim, o país encara o esperado abrandamento da economia europeia e global como uma situação “invejável” se comparada com o resto da moeda única, considera o governador Mário Centeno.

“Desde 1992 que a despesa pública corrente não subia tanto como está a subir em 2024”, afirmou Centeno, explicando que tal se fica a dever, em parte, aos efeitos desfasados da inflação. No entanto, o país vive hoje “numa situação invejável” em termos orçamentais após os ajustamentos da última década.

“Muito poucos países na Europa podem enfrentar o novo ciclo económico europeu e as incertezas que este traz com a estabilidade que Portugal tem”, argumentou o governador do BdP.

Ainda assim, “a execução orçamental de 2024 revela crescimentos da despesa que não eram observados desde 1992 e todos nós passámos por anos suficientes e por execuções orçamentais suficientes para saber o que isso significa”, apontou. Acresce a isto que “nos anos que vêm vamos ter de começar a pagar o PRR”, o que constitui nova fonte de pressão nas contas públicas portuguesas.

Centeno procurou, contudo, ressalvar que, “dada a sensibilidade e o momento”, os comentários não deveriam ser vistos como quaisquer considerações orçamentais.

No Boletim Económico divulgado esta terça-feira, o BdP atualiza em baixa as previsões de crescimento para este ano e 2025, apontando agora a um avanço de 1,6% e 2,1%, respetivamente, quando no anterior exercício de projeções antecipava 2,0% e 2,3%. O documento fala num “crescimento equilibrado no horizonte de projeção”, embora reconhecendo que a “evolução recente da atividade foi mais fraca do que o esperado”.

“No terceiro trimestre, o crescimento deverá permanecer baixo de acordo com os indicadores de conjuntura disponíveis”, antecipa o BdP, apontando a “um abrandamento das exportações e do consumo privado”.

Por outro lado, a expectativa “de um maior crescimento do PIB no quarto trimestre e no início de 2025 deve-se, em parte, à recuperação das exportações associada à aceleração da procura externa e ao maior dinamismo do turismo”, além de um crescimento do consumo privado.

Os fatores essenciais para manter a trajetória de convergência nos próximos anos serão a estabilidade financeira e fiscal, por um lado, e as qualificações da população, argumentou o governador, lembrando os impactos positivos que o emprego tem tido nos últimos anos. Junta-se a isso uma estabilização prevista da poupança em níveis historicamente elevados.

Além disto, “houve ganhos salariais em Portugal em todos os anos deste ciclo inflacionista”, um resultado “assinalável” e que muito ajudou no crescimento acima da média europeia nos anos recentes.

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