Desde o final do ano passado que se iniciou o período de negociação coletiva relativo às tabelas salariais e cláusulas de expressão pecuniária para o ano de 2023.
Como vem sendo habitual, com sentido de responsabilidade, com profissionalismo e com sentido construtivo, os sindicatos bancários filiados na União dos Sindicatos Independentes (USI) apresentaram a sua proposta, recorrendo a uma visão humanista das relações laborais e sem subserviência a outros interesses que não sejam os dos seus sócios.
Uma proposta que foi elaborada em sintonia com as melhores práticas no que toca a direitos, deveres e política de rendimentos, a qual está disponível para consulta pública, e que se centra na melhoria das tabelas salariais e cláusulas de expressão pecuniária.
Creio que se percebe o nosso foco, mais ainda se se lembrar a capitulação na negociação que alguns sindicatos aceitaram, fora de tempo e sem nexo, relativamente ao ano de 2022.
Sobre as tabelas salariais e cláusulas de expressão pecuniária de 2022, relembro, já agora, que continuamos a não as aceitar e recordo igualmente que decorrem negociações sob os auspícios da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
Quanto a 2023, considerando a rendibilidade dos capitais próprios, o retorno nos ativos, os ganhos de produtividade, as margens de intermediação em crescendo, o efeito inflacionista sobre o sentido ascendente de preços de serviços financeiros, os níveis de imparidade, entre tantas outras variáveis, propusemos a um valor honesto de aumento das remunerações e cláusulas laborais de 6,25%. Esta proposta teve em consideração unicamente a melhor informação económica pública disponível e as condições de exploração das empresas financeiras para 2023.
À nossa proposta inicial seguiu-se uma contraproposta, que consideramos indigna, por parte do Grupo Negociador das Instituições de Crédito (GNIC). De forma incompreensível e inaceitável, propuseram aumentos das tabelas salariais e cláusulas de expressão pecuniária de meros 2,5%.
Alguns ficaram supostamente indignados, talvez porque lhes tivessem prometido que um (mau) acordo de 2022 seria compensado em 2023. Da nossa parte, nunca acreditámos em falsas promessas, ou em amanhãs que cantam.
Consideramos a contraproposta de 2,5% indigna porque a argumentação aduzida é fraca, displicente e menciona dados surreais, deslocados de qualquer realidade, como por exemplo, os automatismos, as contribuições para os fundos de pensões, os NPL, entre outros.
À indignidade da contraproposta apresentada, responderemos não apenas com diálogo na mesa de negociação, mas também nas ruas e na opinião pública. Contem connosco. Como sempre!