A indústria alemã dá sinais de recuperação após o choque criado pelo conflito no Médio Oriente, com as encomendas industriais a subirem acima do esperado em maio. Na mesma linha, a confiança dos investidores europeus está em alta, muito à conta das expectativas relativamente à maior economia do bloco.
As encomendas industriais alemãs subiram 1,9% em maio depois do indicador ter recuado 3,8% em abril, isto numa análise em cadeia. Segundo o levantamento feito pela FactSet, a expectativa dos analistas ficava numa queda de 1%, em linha com o recuo de 3,8% registado no mês anterior.
Depois do choque adverso criado pelo disparo nos custos energéticos com o irromper do conflito no Médio Oriente, a economia alemã dá mais sinais de estabilização. Numa fase inicial, o setor industrial até aparenta ter beneficiado com algum redirecionamento de encomendas, sobretudo de empresas do Sudoeste Asiático, tendo favorecido de stocks fortes.
“A indústria alemã parece ter escapado [à guerra no Médio Oriente] com pouco mais do que um olho negro”, escrevem os analistas do banco ING, isto apesar das tensões experienciadas ao nível das cadeias de valor.
Excluindo grandes encomendas, o indicador conseguiu manter a trajetória, subindo 1%. A procura doméstica cresceu 1,3%, mas foram as encomendas vindas de fora da Alemanha que mais impulsionaram, com um aumento de 2,2% e uma subida de 11,2% nas encomendas oriundas da zona euro.
Apesar da subida em maio, o indicador a três meses continua a ver uma ligeira contração de 0,2% no período entre março e maio, embora neste período se registe um aumento de 4,1% se excluídas as grandes encomendas. O primeiro trimestre do ano registou também uma queda na produção industrial alemã de 0,5%, embora os dados de abril mostrem já um crescimento em cadeia de 0,4%.
Impulso para os investidores
Em linha com esta inversão de rumo da indústria na maior economia europeia, os investidores do Velho Continente olham com maior otimismo para o mercado, regressando aos valores registados antes da guerra e subsequentes tensões no Estreito de Ormuz.
O indicador Sentix subiu de -13,4 em junho para -3,1 em julho, contrariando as expectativas de mercado quanto a uma descida para -14,5. Foi o terceiro mês consecutivo de subidas do indicador, que assim regressa a valores condizentes com o cenário pré-guerra.
Escrevem os analistas da Pantheon Macro que a subida foi “provavelmente motivada tanto pelo alívio dado pela calma nos mercados de energia, como pelas esperanças que a ronda de reformas na Alemanha leve a crescimento económico”. O subíndice referente às expectativas disparou de -6,5 pontos para 9,3, enquanto o que avalia a situação atual subiu 5,3 pontos para -14,8.
Destaque para o subindicador relativo à Alemanha, que saltou de -13,3 para 3,5 pontos, sublinhando o impulso dado pela maior economia europeia ao bloco e às perspetivas dos investidores. No entanto, a nota da Pantheon considera que “as reformas deverão traduzir-se em crescimento mais forte apenas no longo-prazo”, pelo que, “no curto prazo, estão sobretudo a melhorar o ambiente após a saída prematura da Alemanha do Mundial”.