Os atrasos na execução do PRR levaram a um ajuste de prazos e fontes de financiamento de vários projetos, de forma a não ficarem hipotecados, arriscando assim deixar de serem a fundo perdido e agravando assim o endividamento das empresas e do Estado. A reprogramação era necessária, defendem dos especialistas ouvidos pelo JE, mas obrigará a escolhas estratégicas mais para a frente e diminui o impacto positivo dos projetos, adiando o break-even – algo a que Governo e empresários devem estar atentos.
À medida que se aproxima do prazo final, a execução do PRR na sua totalidade parecia cada vez mais difícil, empurrando o Governo para uma reprogramação com vista a não perder o financiamento a fundo perdido que compõe o plano. No final de janeiro, a Estrutura de Missão Recuperar Portugal explicitava que, “dos 463 marcos e metas acordados com a Comissão Europeia, 147 já foram cumpridos, 30 estão em fase de avaliação e 13 em processo de submissão”, pelo que, “para garantir que os restantes sejam atingidos de forma eficiente, foi realizado um exercício de reprogramação”.
No Parlamento, o secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, argumentou que “o grau de exigência face ao tempo que temos para terminar é grande”, explicando a decisão de avançar com a reprogramação. Ao JE, o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro, considerou ser “expectável que as empresas possam sair beneficiadas, pela maior flexibilidade na execução dos projetos face aos prazos atuais do PRR, uma das razões que motivou esta reprogramação”.
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