Celebrar a Cultura é uma das apostas da cidade de Aveiro no presente e futuro, já com os olhos postos na Capital Portuguesa da Cultura em 2024. O Festival dos Canais, enquanto parte integrante do calendário cultural da cidade, apresenta, entre 12 e 16 de julho, um programa diversificado e gratuito, com música, dança, teatro, circo contemporâneo e performances de rua.
Os destaques são muitos, e começamos pelo concerto que vai juntar três das mais aclamadas vozes masculinas da atualidade: Camané, Ricardo Ribeiro e António Zambujo. O trio atuará no palco do Cais da Fonte Nova, no domingo, dia 16 de julho, para interpretar clássicos da música brasileira.
Também os D.A.M.A marcarão presença no mesmo palco, desta vez com Buba Espinho a seu lado, assim como a Banda Sinfónica Portuguesa, o saxofonista Henk Van Twillert e a formação Vento do Norte, numa atuação inspirada no pintor Pieter Mondrian. Nos concertos de final de tarde, o palco Música ao Pôr do Sol irá receber Wolf Manhattan, Da Chick, S. Pedro e The Lemon Lovers.
Da gastronomia à dança, passando pelos canais de Aveiro, há mundos a acontecer
Na vertente gastronómica, há uma novidade, com a 1ª edição de Chefs on Fire fora da Área Metropolitana de Lisboa. Objetivo? Desafiar chefs de renome a cozinhar em fogo lento, celebrando as origens da cozinha. O repto foi lançado a Rafaela Louzada (Gruta), Cristiano Barata (O Mercantel), César Vitorino (Foco), João Cura (Almeja), Luís Gaspar (Sala de Corte) e Pedro Braga (Mito), com a missão de mostrar o que de melhor se cozinha na Região de Aveiro e no Centro de Portugal, ao almoço e ao jantar dos dias 14 a 16 de julho.
A companhia espanhola e argentina Aerial Strada estreia em Portugal “Sylphes”, uma performance que irá decorrer ao longo do Canal Central de Aveiro e que, ao chegar ao Cais da Fonte Nova transformará o mesmo em palco para acrobatas dançarem com a lua, num espetáculo de cor, luz, cor e música.
O circo contemporâneo também marca presença no Festival dos Canais 2023, com a Compagnie Bivouac, que apresenta no Jardim Fonte Nova o espetáculo “Lemniscate”, onde dois bailarinos e um acrobata num mastro chinês dão corpo a três personagens perdidos neste “não lugar” suspenso. A Compagnie regressa ao festival para estrear, em Portugal, mais uma das suas recentes criações, depois da sua passagem por Aveiro em 2021.
A programação abarca centenas de atuações de artistas nacionais e internacionais, pelo que estes são apenas alguns destaques. Mas não poderíamos terminar sem fazer referência a um projeto criado no âmbito de uma parceria entre Aveiro, Malmo (Suécia) e Rouen (França), com o apoio do EFFEA – European Festivals Fund for Emerging Artists, “Obake”, que tem estreia marcada para os dias 15 e 16 de julho. Um espetáculo que junta diversas técnicas artísticas e acrobáticas e que foi inspirado pela cidade onde é apresentado, Aveiro.
Desafiar preconceitos, brincar com o fogo e procurar o equilíbrio
“Black Victorians”, da encenadora e coreógrafa britânica Jeanefer Jean-Charles, também estará em destaque no Festival dos Canais. A performance de dança celebra e preta homenagem às comunidades negras na época vitoriana, revelando histórias muitas vezes esquecidas. A ideia é desafiar estereótipos e preconceitos raciais, dando visibilidade ao contributo das comunidades negras para a construção da sociedade vitoriana. O espetáculo pode ser visto a 14, 15 e 16 de julho, no Largo de São Gonçalinho.
“Symfeuny”, da companhia basca Deabru Beltzak, é mais uma estreia em Portugal que promete uma forte interação com o público. O espetáculo, que junta fogo e percussão, poderá ser visto nas noites de 14 e 15 de julho desde a Praça da República até à Praça Marquês de Pombal.
A 16 de julho, a Compañía Eva Guerrero apresenta uma investigação sobre o uso do corpo em diferentes épocas e religiões, questionando conceitos como culpa, penitência, transcendência e submissão presentes em diversas religiões. “Gorpuztu” cruza dança contemporânea com música ao vivo e vai ocupar o Parque da Baixa de Santo António com a sua inquietação.