Com o corte anunciado pela OPEP+ na produção de petróleo à escala global, na ordem de de 1,16 milhões de barris por dia, a subida de preço daquele combustível é uma tendência altamente provável. Alguns analistas alertam mesmo para a eventualidade de os custos subirem de tal forma que alcancem os 100 dólares por barril.
De acordo com o diretor-geral do banco de investimento independente multinacional Raymond James Financial, Pavel Molchanov, em declarações citadas pela estação norte-americana “CNBC”, os países que mais vão sofrer se o custo dos barris atingir os 100 dólares, os países que mais vão sofrer os efeitos desta mudança são os principais importadores daquele recurso, que não têm possibilidade de o produzir.
“É um imposto em todas as economias importadoras de petróleo”, de acordo com o responsável, que aponta Japão, Índia, Alemanha e França como “alguns dos grandes exemplos”.
Os cortes da OPEP+ vão verificar-se a partir do mês de maio e prolongar-se-ão até ao final do ano de 2023, anunciou aquela organização
Países sob maior risco
Olhando aos países onde o impacto será mais forte, a Índia é um dos casos, já que é o terceiro maior importador de petróleo em todo o mundo, tendo registado no passado mês de fevereiro um crescimento homólogo de 8,5%, de acordo com os dados oficiais.
A Índia beneficia de preço mais baixo do que outros países no petróleo que adquire à Rússia, mas não deixará de sentir de forma muito acentuada um eventual aumento do barril de petróleo para os 100 dólares.
Outro exemplo é o Japão, onde o petróleo é a principal fonte de energia, representando cerca de 40% do consumo nacional da mesma. De resto “entre 80 e 90%” das importações deste recurso chegam de países do Médio Oriente, de acordo com os dados revelados pela Agência Internacional de Energia (IEA).
Também a Coreia do Sul seria fortemente impactada, sendo que, a par da Itália, “mais de 75% da energia consumida” é gerada a partir de petróleo importado, referiu Molchanov.
De momento, o barril de brent custa 84,78 dólares, ao passo que o crude está a ser negociado nos 80,51 dólares por barril.