Hugo Costa, Economista e Deputado do PS

Uma homenagem

Quero destacar a visão de Rui Nabeiro pelo seu espírito empreendedor e capacidade de estar sempre na linha da frente e, acima de tudo, a visão de compreender a importância dos trabalhadores, características que marcam aquele que é um verdadeiro líder.

Esta semana o país foi marcado pelo falecimento de um Homem maior. O Comendador Rui Nabeiro partiu aos 91 anos e teve uma vida que foi um exemplo. Exemplo pela sua visão de coesão territorial, exemplo pelo amor à sua terra. Destaco a sua visão pelo seu espírito empreendedor e capacidade de estar sempre na linha da frente e, acima de tudo, a visão de compreender a importância dos trabalhadores, características que marcam aquele que é um verdadeiro líder.

Não sou alentejano, mas sempre vi a forma dignificante como a região olhava para o comendador. A forma como tratou sempre os trabalhadores e a preocupação que sempre demonstrou com o próximo é uma lição para todos. Felizmente, o país também lhe soube reconhecer o mérito em vida e a 9 de junho de 1995, Mário Soares atribuiu-lhe o grau de comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola, Industrial e Comercial Classe Industrial, e a 5 de janeiro de 2006, Jorge Sampaio distinguiu-o como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

A vida do Comendador Rui Nabeiro foi, de facto, uma inspiração para muitos, replicada nas muitas homenagens dos últimos dias. Recordo que a vida do empresário serviu de inspiração ao romance biográfico “Almoço de Domingo”, escrito por José Luís Peixoto. O escritor realçou as características excecionais deste homem que, para além de uma carreira extraordinária no mundo empresarial, sobressaiu do ponto de vista humano, “naquilo que diz respeito ao seu desenvolvimento, tendo marcado Campo Maior, o Alentejo e até mesmo o país”.

Nascido numa família humilde, Rui Nabeiro começou a trabalhar cedo a ajudar o pai e os tios na torra do café. Com o falecimento do pai, com apenas 17 anos, ficou à frente dos destinos da pequena torrefação familiar. Viria a construir um império familiar que envolve negócios de café, azeite e vinho. Manteve-se desde o início ao fim na Delta Cafés – a inovação da empresa foi distinguida devido aos seus resultados de alto impacto, por conta de uma forte aposta na inovação e na criação de ideias que levavam o consumidor de café a ter uma melhor experiência.

Rui Nabeiro era o mais respeitado dos empresários, mas, acima de tudo, era um dos mais respeitados homens do país. Na sua morte, dedico-lhe este artigo, como sinal de gratidão e de exemplo. Uma homenagem a um homem bom. E que a sua visão humanista continue a inspirar.

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