UE/Cimeira: Orbán recusa aprovar qualquer medida pró-Ucrânia enquanto não receber petróleo

“A posição húngara é muito simples: estamos disponíveis para apoiar a Ucrânia assim que recebermos o petróleo que eles estão a bloquear. Até lá, a Hungria não vai apoiar qualquer posição que seja favorável à Ucrânia”, avisou Viktor Orbán em declarações aos jornalistas à chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, após ter sido questionado se tenciona levantar hoje o bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE a Kiev.

UE/Cimeira: Orbán recusa aprovar qualquer medida pró-Ucrânia enquanto não receber petróleo
Hungarian Prime Minister Viktor Orban speaks as he arrives for an EU summit in Brussels, Belgium December 10, 2020. John Thys/Pool via REUTERS

O primeiro-ministro húngaro avisou hoje que não vai aprovar qualquer medida a favor da Ucrânia enquanto o seu país não receber petróleo, salientando que é uma “questão existencial” para Budapeste.

“A posição húngara é muito simples: estamos disponíveis para apoiar a Ucrânia assim que recebermos o petróleo que eles estão a bloquear. Até lá, a Hungria não vai apoiar qualquer posição que seja favorável à Ucrânia”, avisou Viktor Orbán em declarações aos jornalistas à chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, após ter sido questionado se tenciona levantar hoje o bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE a Kiev.

“Precisamos do petróleo, é uma questão existencial. Não estamos a falar de política, é uma questão existencial para a Hungria ter esse petróleo. Sem o petróleo, todas as famílias e empresas húngaras vão entrar em falência”, afirmou Orbán.

Confrontado com o facto de a UE se ter disponibilizado para apoiar a nível técnico e financeiro as reparações do oleoduto de Druzhba, o que Kiev aceitou, Orbán respondeu: “Estamos à espera do petróleo, tudo o resto são contos de fadas”.

“Nós só acreditamos em factos. O petróleo precisa de chegar à Hungria e depois abre-se um novo capítulo. Até lá, não podemos aprovar qualquer proposta a favor dos ucranianos”, reforçou.

Interrogado se a Hungria não admite qualquer outra opção para levantar o bloqueio, Orbán disse que não.

“Isto não é uma brincadeira, não é um jogo político. O Zelensky [presidente ucraniano] devia perceber que isto não é um jogo, é uma questão absolutamente existencial para os húngaros”, afirmou.

Os líderes da União Europeia (UE) reúnem-se hoje em Bruxelas para discutir a resposta comunitária aos impactos da escalada militar no Médio Oriente, sobretudo para fazer face aos elevados preços da energia e garantir segurança energética.

A cimeira surge também numa altura de tensões entre Hungria e Ucrânia devido a disputas energéticas e políticas relacionadas com o oleoduto Druzhba, após danos causados por um ataque russo, com Kiev a afirmar que as reparações estão a ser atrasadas por questões de segurança e Budapeste a falar numa ação deliberada ucraniana por motivos políticos.

Em resposta, o Governo húngaro liderado por Viktor Orbán tem usado o veto na UE para pressionar, bloqueando apoio financeiro – nomeadamente através de um empréstimo comunitário de 90 mil milhões de euros – à Ucrânia até que o fornecimento de petróleo seja restabelecido.

Fontes europeias ouvidas pela Lusa não esperam avanços nesta cimeira europeia quanto ao empréstimo, assumindo que Viktor Orbán deverá manter o seu veto tendo em vista as eleições legislativas húngaras de 12 de abril, nas quais surge em segundo lugar em diversas sondagens.

Estas fontes esperam, contudo, que os líderes da UE manifestem o seu desagrado com a constante oposição húngara, já que, devido a essa postura, nos últimos meses o Conselho Europeu não conseguiu em muitos momentos adotar posições a 27, numa instituição que funciona normalmente por unanimidade.

Existe um sentimento de urgência já que a Ucrânia ficará sem financiamento em maio, tendo António Costa vindo a lembrar que o chefe do Governo húngaro tem de respeitar o empréstimo já acordado pelo Conselho Europeu.

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