Ucrânia: Putin encoraja Eslováquia a cortar fornecimento de energia a Kiev

Membro da União Europeia (UE) e da NATO, a Eslováquia é fortemente dependente do gás russo, tal como a Hungria, sendo ambos os países conhecidos pelas posições pró-Moscovo.

Ucrânia: Putin encoraja Eslováquia a cortar fornecimento de energia a Kiev
Russian President Vladimir Putin speaks during a meeting with the president of the Central African Republic during the latter's visit to Moscow, Russia, 16 January 2025.  EPA/EVGENIA NOVOZHENINA / POOL

O Presidente russo, Vladimir Putin, encorajou hoje a Eslováquia a cortar o fornecimento de energia à Ucrânia durante um encontro em Pequim com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico.

“A Ucrânia recebe uma quantidade considerável de recursos energéticos dos vizinhos da Europa Oriental. Cortem o fornecimento de gás na direção oposta, bloqueiem o fornecimento de energia”, sugeriu Putin, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Membro da União Europeia (UE) e da NATO, a Eslováquia é fortemente dependente do gás russo, tal como a Hungria, sendo ambos os países conhecidos pelas posições pró-Moscovo.

A Eslováquia e a Hungria solicitaram em agosto que a UE tomasse medidas contra os ataques da Ucrânia contra infraestruturas energéticas na Rússia.

Os ataques de Kiev, realizados em resposta aos bombardeamentos russos ao sistema energético ucraniano, perturbaram recentemente o funcionamento do oleoduto Druzhba, que ainda liga a Rússia à Europa Central e Oriental.

Nesse sentido, Putin disse a Fico que a Eslováquia deveria perturbar o fornecimento de energia à Ucrânia.

“Então, eles compreenderão imediatamente que há limites para o seu comportamento no que diz respeito à violação dos interesses dos outros”, afirmou o líder russo.

Em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a UE impôs uma proibição à maioria das importações de petróleo proveniente da Rússia.

Mas o oleoduto Druzhba, que começou a funcionar na década de 1960, foi temporariamente isento para dar tempo aos países da Europa Central para encontrarem novas soluções.

Robert Fico criticou repetidamente o apoio da UE à Ucrânia e a política de sanções europeias contra Moscovo, considerando que representava um risco para a segurança energética de Bratislava.

Putin e Fico estão em Pequim para assistir na quarta-feira ao desfile militar que celebrará os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a que presidirá o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

No encontro em Pequim, Putin disse a Fico que valorizava muito a política externa de Bratislava, que considerou independente.

“Apreciamos muito a política externa independente que você e a sua equipa conduzem”, afirmou, durante a reunião com Fico, transmitida pela televisão.

Fico pediu a Putin para transmitir a mensagem do líder russo aos líderes europeus antes da reunião que terá na sexta-feira com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Posso transmitir a sua mensagem aos meus colegas [da UE]?”, perguntou ao líder russo, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

O primeiro-ministro eslovaco mostrou-se convencido de que, após a reunião de hoje, os líderes europeus lhe ligarão para perguntar o que Putin lhe disse.

“Eles vão ligar-me e perguntar: o que é que Putin lhe disse? Seria bom trocarmos pontos de vista sobre este assunto”, insistiu.

Fico disse que não compreende certas decisões da UE em relação ao conflito ucraniano e que está decidido a continuar a cooperação entre Bratislava e Moscovo.

“A União Europeia não é capaz de reagir aos movimentos no mundo”, afirmou.

Fico disse que a Eslováquia vai votar contra o plano europeu de renúncia aos hidrocarbonetos russos antes de 2027.

Quanto à reunião com Zelensky, o primeiro-ministro eslovaco disse que irá falar, em particular, sobre os ataques ucranianos contra a infraestrutura petrolífera russa.

“Reagimos com firmeza a esses ataques”, disse a Putin.

Fico também falou com o líder da Rússia sobre os planos da Eslováquia de aprovar a adesão da Ucrânia à UE.

“Quanto à adesão à UE, estamos dispostos a cooperar com a Ucrânia”, disse Fico, acrescentando que Kiev precisa primeiro de cumprir uma série de requisitos.

Disse também que Bratislava, como membro da NATO, se opõe à adesão da Ucrânia à aliança de defesa.

“Reitero o que disse desde o início, a Ucrânia não pode ser membro da NATO”, repetiu Fico perante Putin.

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