Ucrânia: Hungria acusa líderes da União Europeia de erro no apoio a Kiev

"Já vejo nos olhos [dos restantes líderes da União Europeia] que todos sabem que esta guerra está perdida", disse Orbán à rádio pública húngara Kossuth em Bruxelas, onde participa na reunião do Conselho Europeu.

Ucrânia: Hungria acusa líderes da União Europeia de erro no apoio a Kiev
Hungarian Prime Minister Viktor Orban speaks as he arrives for an EU summit in Brussels, Belgium December 10, 2020. John Thys/Pool via REUTERS

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, disse, esta sexta-feira, que recusou o acordo alcançado na quinta-feira pelos 26 países da União Europeia sobre o apoio à Ucrânia porque a guerra causada pelo ataque da Rússia está perdida.

Órban não especificou a declaração sobre “guerra perdida” mas acusou os líderes europeus de estarem a tomar decisões erradas.

“Já vejo nos olhos [dos restantes líderes da União Europeia] que todos sabem que esta guerra está perdida”, disse Orbán à rádio pública húngara Kossuth em Bruxelas, onde participa na reunião do Conselho Europeu.

Neste contexto, o líder húngaro disse ainda que a maioria dos líderes europeus de pretenderem continuar a guerra enviando dinheiro e armas para a Ucrânia.

O governo de Orbán, próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin, recusou-se a apoiar militarmente a Ucrânia desde o início da invasão russa, há três anos.

O primeiro-ministro da Hungria reiterou que a União Europeia (UE) cometeu um erro ao apoiar a Ucrânia, frisando que o bloco europeu não vai participar nas negociações de paz, uma vez que os Estados Unidos estão a em contacto com a Rússia e com a Ucrânia.

Quanto à futura adesão da Ucrânia à União Europeia, Órban sublinhou que o processo pode vir a ser um pesado encargo financeiro e salientou que a Hungria não apoia a contração de um empréstimo conjunto pelos países da UE para apoiar a Ucrânia.

“Vai chegar o momento em que todos vão assumir que a integração da Ucrânia seria equivalente a um colapso económico da UE”, afirmou.

A adesão do país à União Europeia também pode criar tensões no setor agrícola, no mercado de trabalho, na segurança e na criminalidade, bem como nos sistemas de pensões, acrescentou.

Os líderes da UE, exceto Orbán, renovaram o apoio à Ucrânia e mantiveram a pressão sobre a Rússia, mas sem mencionar os 40 mil milhões de euros de ajuda adicional propostos pela Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas.

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