Tribunal confirma coima histórica de 3 milhões à Inetum por cartel no recrutamento

Pela primeira vez em Portugal, a justiça confirmou uma sanção da Autoridade da Concorrência (AdC) relativa a acordos de "no-poach", onde empresas combinavam não contratar trabalhadores umas das outras.

Tribunal confirma coima histórica de 3 milhões à Inetum por cartel no recrutamento
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O Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS) confirmou integralmente a coima de 3.092.000 euros (3,1 milhões de euros) aplicada pela AdC a três empresas do grupo Inetum. Em causa está a participação, durante pelo menos sete anos (2014-2021), num esquema de práticas anticoncorrenciais no mercado laboral.

A sentença classifica a infração como “muito grave”, destacando que o setor das tecnologias de informação é um pilar da economia. Segundo o Tribunal, ao bloquearem a mobilidade de técnicos qualificados através de acordos bilaterais de não-contratação, as empresas não restringiram apenas o mercado, mas “imobilizaram o ativo mais crítico de um setor de alto valor acrescentado”.

Estes acordos, conhecidos como no-poach, impediam que as empresas fizessem propostas espontâneas aos colaboradores umas das outras. Na prática, isto resultava em menor poder negocial para os trabalhadores; estagnação salarial, devido à ausência de pressão competitiva; prejuízo para os clientes, uma vez que o talento não circulava para onde seria mais produtivo.

Decisão inédita em Portugal

Esta é a primeira vez que um tribunal português confirma uma coima por práticas restritivas da concorrência especificamente nos mercados de trabalho.

O Tribunal sublinhou que a mobilidade laboral é o “principal motor da eficiência e da inovação”, e que este cartel projetou uma “sombra de ineficiência” sobre setores dependentes da consultoria tecnológica, como a banca e os seguros.

A investigação da AdC, iniciada em 2022, já tinha levado à sanção de outras três empresas no mesmo processo (com coimas de 4 milhões de euros), que aceitaram colaborar com a autoridade.

O combate a estes acordos de não-contratação tem sido uma prioridade da AdC desde 2020, visando garantir que o mercado de trabalho funcione de forma dinâmica e que os trabalhadores possam escolher livremente onde exercer as suas competências.

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