A crise da habitação não aperta o cerco apenas à classe média, mas afeta sobretudo os mais vulneráveis. Em que altura nos tornámos completamente reféns do mercado imobiliário?
No limite, a tendência tecnocrática convive bem com um certo elitismo e paternalismo. E não se podendo confundi-la com a ameaça da autocracia, na verdade existe em ambas alguma alergia pela conceção democrática da política.
Elitismo na política e machismo na justiça representam duas inércias profundas que passam de regime em regime, fenómenos que têm sobrevivido a todos os movimentos transformadores.
A AD precisa persuadir os portugueses que é do seu interesse estarem unidos à volta da ideia de progresso e de que somos capazes. E também que será implacável com a corrupção, seja quem for.
A colaboração entre os setores público e privado, aliada a políticas claras e estáveis, será fundamental para moldar um ambiente propício ao crescimento e à melhoria habitacional em Portugal.
A verdade é que, para muito boa gente no PS (e no PSD), interceder junto de um ministro para “desbloquear” projetos é perfeitamente legítimo, mesmo que esteja em causa um favorecimento indevido.
Fernando Medina bem pode aconselhar os deputados a não acreditarem em tudo o que leem nos jornais, mas os portugueses também sabem que não podem acreditar em tudo o que dizem os governantes.
A proposta de lei, que repõe em vigor um decreto de 1979 que "estabelece garantias quanto ao reassumir das funções profissionais" por quem seja chamado ao exercício de funções governativas, foi aprovada em Conselho de Ministros no passado dia 7, mas o executivo socialista não forneceu então qualquer detalhe sobre o conteúdo do diploma.
Não podemos aceitar que continue em vigor a narrativa do presidente omnipresente e omnipotente, pois isto leva-nos a questionar qual o papel de ministros, secretários de Estado e toda a sua equipa de auxiliares.
Enfrentamos uma combinação demasiado única e potencialmente tão nociva que os governantes e reguladores terão de tentar fazer mais do que negar publicamente o que aí vem
Nenhum governante pode ser culpado por fatores externos que escapam ao seu controlo, mas pode ser responsabilizado por não saber dar as respostas certas em alturas cruciais.