A democracia precisa urgentemente de líderes moderados, que consigam fazer pontes com outras forças políticas e chegar a soluções de consenso, para que o partido mais votado possa governar.
É preciso convencer uma parte importante dos eleitores que há políticos portugueses com as qualidades e experiência para praticar as medidas que assegurem um presente e um futuro melhor a velhos e novos.
A elevação académica e técnica dos membros dos executivos não tem tido uma tradução directa na transformação económica e no desenvolvimento social do país, que são tão almejados pelos angolanos.
Voltamos a uma 'reprise' dos relacionamentos conturbados de Mário Soares/Cavaco Silva ou Cavaco Silva/José Sócrates, que quase bloquearam a acção governativa. Más notícias, portanto.
A opacidade, a falta de transparência e sobretudo a dúvida no funcionamento das instituições democráticas são uma doença perigosa, com uma cura lenta e dolorosa para os portugueses.
Ironicamente, os estudos aqui referidos são produzidos pelas autoridades que sabem que a melhor solução passa por assegurar que estes miúdos recebem educação e conhecimento.
Vaticino um 2023 muito crítico na governação. Há dinheiro e a sua aplicação coerente exige decisões disruptivas. Estes meses de governação apontavam numa outra linha e não a rotina de substituição de pedras apenas.
Mais do que a falta de coordenação política e a escassez de bom senso, os últimos tempos têm deixado evidente outro facto que nem o mais hábil dos políticos poderá esconder: não há propaganda que resista à verdade.
A 10 de outubro, começamos a ter indicações mais claras sobre as ideias que António Costa tem para o país e que caminho traça para ultrapassar as adversidades causadas pela conjuntura.
Atrair investimento sem vender a alma, estimular a criação de riqueza sem que essa riqueza se acomode em paraísos fiscais, e proporcionar uma vida digna a todos os nossos compatriotas, é um exercício político muito exigente.
Longas estadias no poder e maiorias absolutas deixam os partidos frágeis de ideias e desprovidos de qualquer sentido de propósito, excepto manter-se no poder.