Estes encontros decorrerão no rescaldo das acusações feitas por Venâncio Mondlane ao chefe da diplomacia portuguesa que, nas palavras do candidato presidencial, tem atuado com parcialidade na forma como tem acompanhado o período pós-eleitoral.
“Convidámos os chefes de Estado das comunidades de Desenvolvimento da África Austral e dos Países de Língua Portuguesa. Destes, foram recebidas confirmações de dois”, disse a vice-presidente da Comissão Interministerial para Grandes Eventos, Eldevina Materula, numa conferência de imprensa realizada na Praça da Independência, onde o evento vai ter lugar.
Os acessos ao parlamento moçambicano, em Maputo, estão esta manhã fortemente condicionados, com várias barricadas por polícias e militares, horas antes da tomada de posse dos deputados eleitos à X legislatura.
Daniel Chapo será empossado a 15 de janeiro como novo inquilino do Palácio da Ponta Vermelha, enquanto o candidato derrotado nas presidenciais Venâncio Mondlane promete continuar os protestos.
Em 23 de dezembro, o Conselho Constitucional, última instância de recurso em contenciosos eleitorais, proclamou Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), como vencedor da eleição a Presidente da República, com 65,17% dos votos, sucedendo no cargo a Filipe Nyusi, bem como a vitória da Frelimo, que manteve a maioria parlamentar, nas eleições gerais de 09 de outubro.
“Notamos que esta onda de manifestações (...) resvalou para a violência, com destruição de património público e privado, mortes de concidadãos, ofensas corporais de diversa ordem e obstrução de estradas, além de ondas de saques, pilhagens e roubos. Este tipo de atos só contribui para que o país regrida e mais moçambicanos caminhem para o desemprego e miséria”, lê-se num comunicado enviado à comunicação social.
Resultados definitivos das eleições gerais confirmaram vitória da Frelimo e do seu candidato à presidência da República. O que mudou foi a oposição, com um partido estreante a ser o segundo mais votado.
A oposição angolana enfrenta uma situação complexa devido às difíceis condições de realizar o seu papel de fiscalização da actividade governativa e afirmar-se como alternativa ao MPLA.
Pelo menos 56 pessoas morreram em Moçambique desde segunda-feira, 23 de dezembro, na sequência da contestação aos resultados das eleições gerais moçambicanas, e 152 foram baleadas.
De acordo com o balanço daquela Organização Não-Governamental (ONG) que monitoriza os processos eleitorais em Moçambique, com dados de 23 e 24 de dezembro, até às 13:30 locais (menos duas horas em Lisboa), as províncias de Nampula, Zambézia e Sofala, norte e centro do país, registaram, cada, quatro mortos, além de dois em Tete e dois na província e cidade de Maputo.
Enquanto decorria a leitura do acórdão de proclamação dos resultados, já manifestantes, apoiantes de Venâncio Mondlane, contestavam na rua, com pneus em chamas.
Poderemos estar na presença de uma sucessão político-eleitoral, provocada por uma onda de protestos, mas sem a transformação política e do modus operandi dos regimes na região.
Objetivo da reunião promovida por Filipe Nyusi é discutir o momento pós-eleitoral, marcado por greves, constantes manifestações e confrontos com a polícia.
Comissão eleitoral diz que candidato do regime ganhou com 70% dos votos, mas os partidos da oposição contestam os resultados. Críticas ao processo eleitoral, manifestações e protestos nas ruas continuam.
Segundo os resultados do apuramento geral das eleições de 09 de outubro, anunciados pelo presidente da CNE, Carlos Matsinhe, em Maputo, Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), venceu com mais de 50% dos votos em todos os círculos eleitorais do país, somando no total 4.912.762 votos.